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Imitação de carne de porco faz sucesso em Taiwan

A acessibilidade do produto foi possível também graças a uma parceria com a cadeia de fast food Bafang Yunji (Foto: Divulgação)

Lançada em janeiro em Taiwan, a imitação de carne de porco da startup de alimentos Right Treat está fazendo sucesso no país asiático. Prova disso é que pelo menos um milhão de unidades do OmniPork, uma alternativa à base de plantas, têm sido vendidas por semana em Taiwan, nação insular que conta com 23,78 milhões de habitantes.

A acessibilidade do produto foi possível também graças a uma parceria com a cadeia de fast food Bafang Yunji, que o disponibilizou desde o último dia 12 de janeiro em quase mil unidades. Em Taiwan, a rede é mais popular do que o McDonald’s.

“As impressionantes vendas semanais de um milhão de unidades de OmniPork em Taiwan excedem em muito as nossas expectativas”, declarou o CEO da Right Treat e Green Monday, David Yeung, que desenvolveu o produto nos EUA.

Os números são um exemplo de que a startup tem condições de motivar não apenas a população de Taiwan, mas também de outros países asiáticos a substituírem a carne de porco convencional por uma versão à base de plantas e rica em proteínas, além de contar com 86% menos gorduras saturadas e zero colesterol.

O produto foi criado logo após os surtos de febre suína que atingiram a Ásia, e considerando que vários países asiáticos, incluindo a China, têm o seu consumo de carne baseado principalmente no abate de suínos – que representam 60% desse mercado –  viu uma oportunidade de estimular uma transição para um alimento à base de vegetais, mas que imita a carne de porco.

Outro ponto favorável é que, além de desestimular o abate de animais, o produto favorece um mercado mais sustentável ao ajudar a reduzir o total de 1,29 bilhão de toneladas de resíduos gerados por ano só pela China na criação de porcos abatidos e consumidos também em nações como Taiwan.

23 milhões de porcos mortos para consumo

No mundo todo, cerca de 23 milhões de porcos são mortos por semana, segundo a organização Animal Ethics, do Reino Unido. China, União Europeia e Estados Unidos respondem por mais da metade da morte de suínos.

Em seguida, vem o Brasil, que é o 4º país que mais abate suínos no mundo, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal.

Dos mamíferos reduzidos a alimentos e outros produtos, os porcos estão no topo. Mata-se no mundo todo pelo menos três vezes mais suínos do que bovinos, de acordo com a AE.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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