
“As florestas estão no centro de nossos esforços para restaurar a relação com o mundo natural”, afirmou a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, na semana passada no fórum das Nações Unidas sobre as florestas.
A vice-secretária-geral da ONU disse que “estamos em um momento decisivo”, acrescentando que as florestas oferecem funções vitais, inclusive como guardiãs de fontes de água doce e proteção da biodiversidade.
“As florestas estão no centro das soluções que nos ajudarão a fazer as pazes com a natureza”, frisou e ressaltou que a falha em protegê-las teria um impacto negativo importante nas emissões de carbono prejudiciais e crescentes.
Segundo Amina Mohammed, as florestas devem ser adequadamente financiadas, e também por meio do alívio da dívida dos Estados, que devem fazer mais pela proteção da floresta e pela agricultura sustentável global.
Apontando que o mundo está enfrentando “crises globais abrangentes” que estão “intrinsecamente ligadas” à saúde e à sustentabilidade de meio ambiente, o presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, considerou a discussão como “particularmente oportuna”.
Há um problema em nossa relação com a natureza
“É claro que nosso mundo está nos dizendo que há um problema em nossa relação com a natureza”, disse Bokzir, observando o impacto da covid-19, uma doença zoonótica que destaca os riscos associados à invasão humana; taxas de extinção de espécies, que variam de 100 a mil vezes acima da taxa de referência; e o aumento do aquecimento global, com 2016 e 2020 empatados como os anos mais quentes já registrados.
“Infelizmente, como sociedade, tendemos a nos concentrar nos sintomas e não nas condições estruturais, e temos ignorado as mensagens da Terra por muito tempo. Com sorte, poderemos ajudar a mudar isso.”
O oficial da ONU chama a atenção para o diálogo de alto nível, no dia 20 de maio, que focará na recuperação da pandemia e destacará em como ajudar a enfrentar a desertificação, a degradação do solo e a seca.
Isso vai incluir uma “forte pressão em torno da necessidade de usar este importante esforço de recuperação para criar empregos e projetos de escavação que apoiam a restauração de terras, agricultura regenerativa, energia renovável e eficiência energética, bem como investimentos em gestão sustentável de terras”, afirmou o o presidente da Assembleia Geral.
Seguindo em frente
O chefe do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Liu Zhenmin, falou sobre uma nova pesquisa que relaciona a restauração florestal bem-sucedida com o retrocesso da perda de biodiversidade e extinção de espécies.
Ele afirmou que habitats bem preservados e uma agricultura saudável são os principais caminhos a seguir, e também destacou a importância dos povos indígenas na proteção e preservação da floresta, chamando seu papel de “primordial”.
“Investir em florestas é investir em nosso futuro”, disse. “Devemos fortalecer nossos esforços globais para proteger e restaurar as florestas e apoiar os meios de subsistência das comunidades que dependem da floresta. Só então poderemos concretizar nossa visão compartilhada por um mundo mais justo, igualitário e sustentável”.
Florestas são fundamentais
Em mensagem de vídeo, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), QU Dongyu, disse que as florestas saudáveis são a chave para “reconstruir melhor”.
Ao fornecer energia, segurança alimentar e renda, ao mesmo tempo em que armazenam carbono e abrigam a maior parte da biodiversidade terrestre da Terra, ele disse que “as florestas oferecem esperança para curar as pessoas, o meio ambiente e a economia”.
“Nossa geração deve ser aquela que freia o desmatamento, a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas … e consegue melhor nutrição, melhor produção, melhor meio ambiente e uma vida melhor”, disse.
Relatório Global de Metas Florestais
O evento também lançou o Relatório Global de Metas Florestais 2021, que avalia a posição do mundo na implementação do Plano Estratégico das Nações Unidas para as Florestas 2030.
Embora o mundo tenha feito progressos em áreas-chave, como o aumento da área florestal global por meio de florestamento e restauração, as descobertas revelam que a deterioração do ambiente natural está ameaçando esses e outros ganhos.
“Antes da pandemia, muitos países trabalhavam duro para reverter a perda de florestas nativas e aumentar as áreas protegidas destinadas à conservação da biodiversidade”, escreveu o secretário-geral, António Guterres, no prefácio do relatório.
“Alguns destes ganhos estão agora em risco com tendências preocupantes de aumento do desmatamento de florestas tropicais primárias”.