A criança chorava, forçada a ficar longe da mãe. Claro que não queria, mas não tinha forças para fazer a vontade prevalecer.
A mãe também tentou se aproximar. Não adiantou. Correu para alcançar o filho. Tarde demais. Manteve olhos no horizonte, vendo o caminhão se afastar com a criança na carroceria.
Enquanto a seguravam, parecia querer atravessar a cortina de poeira com os olhos. Balançou a cabeça e manteve a perspectiva.
A observava e ela reagia. Olhos baixos e escuros, fumaça cobrindo parcialmente a fronte. Um olhar sorrateiro, último registro daquele amor despedaçado pela violência da vida.
Ninguém chorou pela situação. Só os dois que amargavam as agruras da inocência, da intransigência e da sofreguidão. Ele morreria mais cedo, a mãe morreria mais tarde depois de uma vida de servidão.
Sobreviveriam as lembranças dos toques, das brincadeiras, das cabeças se tocando e se amornando. A bonomia da amamentação. Talvez o cheiro do campo, da relva. Sim, alguém de sensibilidade não esqueceria.
Mais surgiriam e mais morreriam. A história se repetiria muitas vezes no campo, quando fosse dada a ordem:
“Aqui o bezerro não mama mais. Esse leite é pra vender. Pode levar!” Seria muita sorte permitir que os dois se encontrassem como pedaços de bife sobre um prato.
Não! Não! Não! A morte, sob jugo humano, clama por destinos diferentes, destinos que não permitem encontros, porque quando a mãe partir os cascos da criança não existirão mais.
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