Manifestação cultural, exploração animal e figuras sinistras

É triste reconhecer até que ponto chega a ganância e a maldade humana

Como puxar um animal pelo rabo pode ser considerado esporte? (Foto: Prefeitura do Cantá)

No Brasil, a vaquejada foi elevada à manifestação cultural em novembro de 2016 após o Projeto de Lei 24/2016, de iniciativa do deputado Capitão Augusto (PL-SP), ser aprovado e sancionado pelo então presidente Michel Temer. Já ontem (17), dois anos e quase nove meses depois, o presidente Jair Bolsonaro deixou claro durante Festa do Peão de Barretos (SP) que há de se interpor a qualquer medida que coloque em risco “manifestações culturais” como rodeios e vaquejadas. E isso é um problema, considerando que projetos de lei federais precisam ser sancionados pelo presidente para terem validade.

Infelizmente, é apenas mais uma prova de como o país, na figura de seus representantes políticos, está na contramão do que é certo. É triste reconhecer até que ponto chega a subjugação da vida e do bem-estar não humano sob um pretexto de favorecimento econômico que sabemos que nem mesmo se estende à população. Isso sem me aprofundar em referenciações como troca de favores, ganância e retribuição política. Considerando esse cenário, comecei a refletir sobre outro ponto – a forma como o ser humano se aproveita dos animais – seja para benefícios explícitos na sua própria equivocada razão de ser ou escusos.

Me recordei da maneira como muitos são explorados e executados, como vemos em vídeos amadores de denúncias de sofrimento e morte animal. Curiosamente, me veio à mente lembranças de figuras sinistras como Ed Gein, Ivan Milat, Ed Kemper, Jeffrey Dahmer, Charles Manson, Ted Bundy, Anders Breivik, Woo Bum-Kon, William Unek, Andrei Chikatilo, Maníacos de Dnepropetrovsk e outros tipos de serial killers, mass murderers e rampage killers.

Ted Bundy arrastava garotas de forma bastante similar com o que já foi testemunhado em matadouros e vaquejadas. Ed Gein fazia roupas com o couro de suas vítimas. Muitos gostavam de pendurar seus alvos em grilhões. Vocês já perceberam como o icônico Leatherface, do filme “O Massacre da Serra Elétrica”, inspirado em Ed Gein, aplica contra suas vítimas todas as técnicas que ele aprendeu em um matadouro? Inclusive usa as mesmas ferramentas. Talvez com exceção da serra elétrica. No filme, ele não faz nada do que seres humanos não tenham feito até então com os animais.

Tais tipos criminosos naturalizavam a tortura, o sofrimento e a morte. E inúmeros começaram, sob o respaldo da plasticidade e fragilidade legislativa e constitucional, provocando dor em animais antes de escolherem suas primeiras vítimas humanas. São sujeitos que sempre se viram como senhores da vida e da morte.

Não raramente, vemos pessoas em grande posição de tomada de decisões, defendendo, sob um falso princípio democrático, que os animais merecem o mesmo tratamento – mas sob uma couraça romântica e falseada de “tratamento humanitário” ou que considera o “bem-estar animal” – mas sabemos que são apenas pretextos para o endosso da violência contra vítimas não humanas em diferentes segmentos e que beneficiam diretamente uma minoria, ainda que tenha larga e insipiente plateia.

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