Categorias: Opinião

Mata-se um animal por um prazer efêmero

Os animais têm emoções, sentimentos, e aqueles que colocamos sobre a mesa nunca morrem sorridentes ou satisfeitos em tornarem-se comida (Ilustração: Jo Frederiks)

Quando alguém come um animal, e diz que aquele ser morreu cumprindo o seu papel, pergunto:

Será que a mãe, o pai, o filho ou a filha daquele animal demonstraria concordância? Você já viu algum deles aceitando isso com tranquilidade e prazer?

Se eles nascem com essa “vocação para a morte”, por que então eles e os seus se emocionam, não reconhecem a morte precoce como natural e até mesmo ficam enlutados?

Os animais têm emoções, sentimentos, e aqueles que colocamos sobre a mesa nunca morrem sorridentes ou satisfeitos em tornarem-se comida.

Ademais, demonstram dor de maneira bastante óbvia. É triste reconhecer que mata-se um ser vivo senciente por um prazer efêmero, que não ultrapassa minutos.

Aquele que se regozija com a morte em benefício do próprio paladar ignora o fato de que a morte também o habita, já que somos aquilo que fazemos, comemos, pensamos e sentimos. Como podemos almejar a paz enquanto nos alimentamos de morte?

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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