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Matança de vacas leiteiras cresce no Brasil

Foto: Save Movement

De acordo com novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o abate de vacas leiteiras no Brasil cresceu 12,8% no segundo trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2021.

Em três meses foram mortas no país 2,93 milhões de vacas leiteiras. Isso significa 976 mil por mês. O total considera apenas animais que foram submetidos a algum tipo de inspeção sanitária.

O que também favorece o aumento do abate de vacas leiteiras no Brasil, que geralmente são descartas quando não são mais consideradas lucrativas, é a Portaria nº 365, publicada em julho de 2021 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que autoriza o abate de vacas até no oitavo mês do ciclo de gestação.

Na produção leiteira o que importa é ter um animal de “produtividade compensatória”. Se o objetivo não é alcançado, a vaca passa a ser vista como um animal “apto ao descarte”, conforme critérios do que chamam de “pressão de seleção”, que envolve também avaliação de fertilidade, ligamentos dos úberes, aprumo e problemas de casco.

Há casos em que vacas bem jovens são descartadas por falharem no processo reprodutivo. “Quanto antes for feito o diagnóstico da gestão, mais rapidamente pode ser realizado o descarte, evitando-se que o animal fique mais tempo na propriedade ou, caso a intenção seja fazer o confinamento para que o animal ganhe peso antes de ser vendido ao frigorífico, isso pode ser feito o quanto antes”, informa a Embrapa.

Há mais fatores que favorecem o descarte de vacas leiteiras – como o temperamento e a qualidade dos pés. Quando o animal apresenta claudicação ou pré-disposição a tê-la também torna-se alvo prioritário de descarte. O formato dos pés é outro fator considerado.

Vacas são animais que podem viver por até 20 anos, mas quando exploradas na produção leiteira não ultrapassam os cinco ou seis anos, que é a idade mais comum de descarte. Além disso, bezerros machos também são considerados descartáveis.

No Brasil, o governo federal tem favorecido o abate de bezerros para fins de comercialização como vitela por meio da Instrução Normativa nº 2, de 27 de janeiro de 2020, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo o Mapa, mais de dez milhões de bezerros “passíveis de descarte” nascem no Brasil a cada ano. Ou seja, como “subprodutos” ou “colaterais” da indústria leiteira, e em “condições de serem reduzidos à vitela”.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Boa noite! Eu acredito que alguns aqui , não tem o menor conhecimento , do que venha a ser criar animais dependentes de cuidados humanos . Criticam os tratos ao animal mas não deixa de consumir sua carne.

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