Opinião

Não temos o direito de destruir o habitat de outras espécies

Onça em área do Pantanal atingida por queimadas que tiveram início em fazendas de gado (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

Mesmo com muitas evidências e de diferentes fontes, você pode não acreditar em mudanças climáticas, aquecimento global, efeito estufa, mas há um fato importante a se considerar:

O total de terras utilizadas para a criação de gado, que hoje é uma das principais causas de derrubada de florestas, somado à área destinada à produção de ração para esses animais, corresponde a 77% das terras agricultáveis do mundo.

Ainda assim, a carne bovina representa apenas 18% das calorias consumidas no mundo, bem como 37% do total de proteínas, segundo informações do Our World in Data com base em dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Considerando isso, não pense em aquecimento global, mas somente no absurdo da situação. Deveria ser aceitável? Mesmo que não existisse aquecimento global, que direito teríamos de destruir outras espécies e o seu habitat?

Outros animais também têm direito de viver

Vamos supor que nossa interferência no meio ambiente não resultasse em grande impacto para a vida humana, ainda assim isso seria justo? Explorar, destruir e matar apenas para o nosso próprio benefício. Há coerência e retidão nisso?

Os outros animais também têm direito de viver. Se restringir a falar das consequências para a humanidade, como ocorre muitas vezes no caso das mudanças climáticas, é sempre uma forma de apelar ao que nos toca, nos atinge, mas não deveria ser assim, porque isso sempre nos coloca em posição de protagonismo.

As pessoas poderiam se esforçar em entender que outras vidas e outros espaços existem, e que deveriam ser intocados independente de qualquer coisa, e não somente porque isso nos afeta de forma direta e/ou indireta.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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