Os sistemas de agricultura industrial conseguem produzir grandes volumes de alimentos para o mercado global. No entanto, causam erosão considerável do solo, perdas de biodiversidade (inclusive de polinizadores) e poluição de corpos de água doce.
Eles promovem uma alta dependência da agroindústria e de seus produtos por grandes quantidades de água doce e de fertilizantes. Segundo relatório lançado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), só o setor pecuário representa 14,5% de todas as emissões globais de gases do efeito estufa.
A fragilidade dos solos, esta fina camada de terra que é a base de quase tudo que cresce e do que comemos, coloca em questão a sustentabilidade da agricultura industrializada. Um problema indiscutível é que estamos perdendo solo devido a estas práticas inadequadas de gestão da terra.
“No geral, estamos perdendo solo em áreas agrícolas 10 a 40 vezes mais rápido que a taxa de sua formação, comprometendo a segurança alimentar da humanidade”, afirma o especialista em solo e paisagem do Pnuma, Abdelkader Bensada. “Um quarto da superfície da Terra já está degradada”, avalia.
Além disso, segundo aponta o relatório, uma área de solo fértil equivalente ao tamanho da Grécia ou do Malauí está sendo perdido todos os anos e, segundo a FAO, cerca de 33% de nossos solos globais estão degradados.
Enquanto isso, uma nova pesquisa divulgada pela Comissão Europeia sugere que condições mais quentes e secas, previstas com a mudança do clima, reduzirão as taxas de decomposição de matéria vegetal morta fornecida pela fauna edáfica (como minhocas, colêmbolos e ácaros) e micróbios (como bactérias e fungos).
Isso pode ter implicações importantes para a agricultura e os ecossistemas naturais em todo o mundo, já que a decomposição de plantas é um processo fundamental no ciclo e na distribuição de nutrientes pelos ecossistemas.
O manejo sustentável da terra e do solo exige um entendimento da relação primordial entre plantas e vida do solo, afirma o PNUMA. As plantas interagem intensivamente com um grande número de microrganismos, em particular micróbios e fungos, no solo.
Ainda segundo o relatório, “em um único grama de solo saudável, pode-se encontrar de 108 a 109 bactérias; 105 a 106 fungos; e muitas outras formas de vida microscópica que influenciam o crescimento e a saúde da planta, bem como o armazenamento de nutrientes e a água no solo”.
Uma conclusão importante do documento é que as práticas agrícolas que aumentam a matéria orgânica do solo são favoráveis a uma maior produção de alimentos, maior biodiversidade, maior retenção de água, resistência à seca e outros serviços importantes do ecossistema.
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