Não precisamos de carne, mas sim de vegetais

Qualquer pedaço de animal que se come depende diretamente de fontes de nutrientes de base vegetal

Todos nós poderíamos estar consumindo primariamente vegetais em vez de animais (Fotos: iStock/Toronto Pig Save/Cleveland Animal Save)

É estranho considerar que muitas pessoas justificam o consumo de animais alegando necessidade de proteína de origem animal. Por outro lado, essa proteína que consideram “tão necessária” não existiria sem que os animais que as pessoas comem, e ainda sob o pretexto da imprescindibilidade, não se alimentassem de vegetais. Então, eu te pergunto: “Por que comer animais?”

Qualquer pedaço de animal que se come depende diretamente de fontes de nutrientes de base vegetal. Então entramos em um curioso paradoxo – cria-se animais que consumirão vegetais, e então alguém diz orgulhosamente que sua vida não existiria sem carne – ignorando que a principal, logo imprescindível, massa calórica humana deve ser proveniente de vegetais.

Sendo assim, não, sua vida não existiria sem vegetais. Até porque, além da nossa aptidão para prosperar em uma dieta com fontes de proteínas de origem vegetal, os animais que matamos aos bilhões por ano não comem animais de outras espécies, e quando o fazem (seja por meio de algum tipo de farináceo de origem animal empurrado arbitrariamente em meio às suas rações), como mostra a história da agropecuária moderna, crescem as chances desses animais desenvolverem doenças que acometem eles mesmos (por falha de inerência biológica) e possivelmente também quem consome carne.

Para mim, isso leva a uma conclusão simples e lógica – todos nós poderíamos estar consumindo primariamente vegetais em vez de animais. Isso permitiria ainda poupar trabalho, dinheiro, alimentos e tempo. Ademais, se chegamos a matar até 70 bilhões de animais terrestres por ano para consumo e ainda assim temos mais de 821 milhões de pessoas passando fome no mundo, eu te pergunto: “Em que a agropecuária ajudou?”

Por que estamos criando cada vez mais animais que demandam cada vez mais terras enquanto tantas pessoas passam fome? A agropecuária está longe de uma realidade sustentável, e, sem destacar agora a violência inerente à matança de animais, carne enquanto produto não é acessível a um grande percentual da população mundial.

Temos uma realidade em que o número de animais mortos para consumo por ano cresce, e o de pessoas famintas também. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que em 2050 teremos uma população humana de 10 bilhões de pessoas.

Logo precisaremos encontrar meios de ampliar a produção de alimentos sem aumentar em mais do que 5% a utilização atual da terra para não piorar ainda mais o quadro de degradação ambiental. Isso pode ser possível produzindo vegetais, não criando animais – que demandam maiores áreas por sua própria condição biológica.

Como a produção e o consumo de carne podem ajudar nisso? No Brasil, a mais recente estimativa do IBGE apontou que no país um boi (somente um bovino) não ocupa menos de 1,15 hectare. Há hortas e pomares em comunidades rurais que estão longe de somarem um hectare.

Há pessoas produzindo variedades de leguminosas como feijões para consumo e venda em lotes que não ocupam nem 1/5 do espaço destinado a um boi. Sendo assim, te pergunto: “O que parece mais adequado, justo e sustentável?” Não tenho dúvidas de que a abstenção do consumo de animais e a priorização das proteínas de origem vegetal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here