Número de animais explorados para consumo pode dobrar até 2050

Quanto mais animais são criados com fins de consumo, maior impacto isso terá para eles, para nós e para o planeta

Se a população não mudar seus hábitos alimentares, a pecuária e a indústria da carne e de outros produtos de origem animal transformarão o planeta em um lugar ainda mais terrível para os animais (Fotos: Aitor Garmendia)

De acordo com a organização World Animal Protection, a previsão é de que até 2050, com o aumento da população mundial, o número de animais explorados e mortos para consumo pode dobrar em relação ao ano de 2000, e isto falando apenas das vítimas da agropecuária. “Hoje já são 70 bilhões de animais terrestres por ano”, destaca.

Ou seja, se a população não mudar seus hábitos alimentares, a pecuária e a indústria da carne e de outros produtos de origem animal transformarão o planeta em um lugar ainda mais terrível para os animais, e com implicações ainda mais severas para o meio ambiente e, por extensão, para nós.

Afinal, quanto mais animais são criados com fins de consumo, maior impacto isso terá, inclusive na nossa saúde, no favorecimento de um potencial cenário de novas e mais perigosas doenças zoonóticas. Pense apenas na quantidade de frangos que são abatidos para consumo e no risco já apresentado pela gripe aviária.

Uma estimativa da World Animal Protection revela que a maioria dos 60 bilhões de frangos criados para produção de carne no mundo está confinada sob condições intensivas em granjas industriais.

40 bilhões de frangos em galpões superlotados

“40 bilhões de frangos estão sujeitos a galpões superlotados todos os anos. Muitos têm um espaço menor do que uma folha de papel para viver em um galpão lotado com mais de 40 mil frangos. Eles passarão a maior parte de suas vidas sem poder expressar seus comportamentos naturais”, informa a entidade. Além da incompatibilidade com o bem-estar animal, como não concluir que esse é um contexto de fácil disseminação de doenças?

Também já tivemos e ainda temos problemas com a gripe suína, que só existe por causa do consumo de porcos, que é o mamífero mais abatido no mundo no contexto da pecuária. “Os leitões têm seus rabos cortados e orelhas mutiladas nos primeiros dias de vida, sem anestesia. Três a cada quatro porcas-mãe são confinadas em gaiolas do tamanho de uma geladeira comum”, revela a WAP. Considerando que esta é a realidade atual, o que podemos esperar então para 2050?

Mais bovinos do que pessoas

Só a indústria da carne brasileira foi responsável pela morte de mais de seis bilhões de animais em 2020. Com uma previsão de grande aumento populacional nas próximas décadas, como já destacado pela Organização das Nações Unidas (ONU), quantos estaremos enviando para os matadouros em 2050? E com que idade? Já que a demanda motiva o abate de animais cada vez jovens. Considere também o impacto já causado pela pecuária extensiva nos biomas brasileiros em relação a desmatamento e degradação do solo – Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica.

Hoje o país tem um rebanho que supera o número de habitantes humanos. São 214,7 milhões de bovinos e 212 milhões de pessoas, e a criação de gado no Brasil demanda grandes áreas (já passamos de 200 milhões de hectares de pastagens, segundo a Embrapa), alimentação para esses animais que comem bastante e muita água. Será que devemos continuar insistindo na criação de animais para consumo sem considerar com seriedade as consequências?

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