Pintora cria coleção dedicada ao respeito pelas vacas

Charlotte Gerrard: "Minhas pinturas visam retratar o valor desses animais e seus detalhes com profundidade e sensibilidade"

Sua intenção também é evocar no espectador uma sensação de “bem-estar” em contemplar as vacas que protagonizam as pinturas de sua coleção (Pinturas: Charlotte Gerrard)

A pintora Charlotte Gerrard, que vive em Londres, na Inglaterra, tem uma produção centrada em chamar atenção para o valor da vida não humana. Muitas de suas obras apresentam principalmente vacas – animais que a artista reconhece como pouco respeitados pela sociedade, ainda que transmitam com muita facilidade expressões de sua natureza dócil.

“Me concentro em capturar a individualidade, charme e serenidade dessas criaturas gentis. Minhas pinturas visam retratar o valor desses animais e seus detalhes com profundidade e sensibilidade. Tento dar a essas criaturas passivas uma voz e um lugar em uma sociedade onde normalmente são desconsideradas”, explica.

Charlotte, que se inspira em animais reais que viu ou conheceu, tem uma preocupação em transmitir em cada obra não apenas uma bela imagem de um animal, com o fim de mera apreciação de uma figura, mas também um sentimento que evoque uma mudança de consciência e um ganho de percepção.

Sua intenção também é evocar no espectador uma sensação de “bem-estar” em contemplar as vacas que protagonizam as pinturas de sua coleção, assim despertando mais empatia e simpatia por elas. O que também favorece isso é que a maneira como são concebidas permite que o público se sinta como se estivesse próximo delas.

Assim, o espectador é capaz de reconhecer outras qualidades e características que tendem a passam despercebidas pela nossa ausência de atenção em relação a elas – o que muitas vezes se associa à objetificação e ao papel utilitário que elas têm em nossa sociedade.

É fácil perceber nas obras de Charlotte Gerrard como as personagens transmitem vitalidade, o que também pode ser associado tanto com a energia quanto com a vontade de viver. Além disso, as vacas e os outros animais retratados pela artista parecem nos observar e nos perscrutar.

“Comecei a vender pinturas e gravuras em feiras e galerias regularmente em 2002. Desde 2007, tenho um estande no Spitalfields Art Market, situado no epicentro comercial de Londres”, informa Charlotte Gerrard.

Saiba Mais

Charlotte Gerrard se tornou artista visual em 1994 e se profissionalizou em 1999. Atualmente ela é membro do Barbican Arts Group Trust e mantém um estúdio em Blackhorse Lane, em Londres.

Saiba mais sobre o trabalho de Charlotte Gerrard:

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns, Charlotte, você conseguiu belamente transmitir a paz desses animais sagrados, sua doçura e serenidade, nos permitindo “ficar próximos delas” quando questionam, sem palavras, o motivo de nosso desamor e crueldade contra elas. Realmente suas pinturas transmitem a “vontade de viver”delas, quando “parecem nos observar e perscrutar” nossa conduta homicida em desfavor delas e de seus filhotes, separados delas para que lhes roubemos o leite. No entanto, poderiam ser até mesmo, terapeutas e, quem sabe, esse fosse o seu destino se não o impedíssemos de se cumprir. Quem sabem nasceram para curar humanos agitados, nervosos e desvairados que se acalmariam apenas olhando fixamente, por alguns segundos, para os seus meigos olhos, medicinais. Os psiquicamente enfermos sorveriam o remédio invisível de sua energia pura, se as pudessem olhar com olhos de ver e coração de sentir. Pacificadores, estes olhos, hipnotizando os loucos, fossem capazes de extinguir suas guerras internas, combates existenciais resultantes de delírios e de vícios em que a espécie humana costuma se arrojar, insensata ou incauta, por ignorar a serena superioridade e resiliência delas. Se fossemos menos predadores do que somos e tão bons quanto elas são, poderiam ser as conselheiras silenciosas que nos ensinassem a amar e respeitar a Natureza como elas amam e respeitam e poderiam ser presenças, muito mais do que ausências, se não fossem mortas.

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