Podemos viver bem sem explorar animais

Consumo de animais e de produtos de origem animal tem mais a ver com condicionamento e predileções, que são consequências da primeira, do que com inevitabilidade ou imprescindibilidade.

Consumo de animais e de produtos de origem animal tem mais a ver com condicionamento e predileções, que são consequências da primeira, do que com inevitabilidade ou imprescindibilidade.

Afinal, como posso dizer que sem alimentar-me de animais não posso viver? Como posso dizer que produtos que compro porque despertam em mim algum tipo de prazer são essenciais em minha vida? Se sem também posso viver e há tantos outros que evocam prazer sem associação com o uso de animais.

Se tenho um histórico de hábitos de consumo que desenvolvi ao longo dos anos, sem dúvida, resulta primeiro de estímulos precedentes à minha capacidade de identificar por mim mesmo o que posso ou devo consumir. Porém, com o tempo, moldo e renovo minhas vontades e necessidades; posso dizer que minha percepção mudou, que houve aperfeiçoamento, que desenvolvi novos hábitos e abdiquei de outros.

Todos nós gostamos de alimentos e outros produtos que, em algum momento, e por fator que pode ser determinado ou alheio à nossa própria consciência (pelo menos no limiar) ou desenvolvimento, passamos a desgostar. Tenho certeza de que você pode pensar em algum exemplo.

Então por que, quando trata-se de produtos de origem animal, não reconhecemos nem exercitamos a mesma capacidade? Por que não nos deixamos passar por uma mudança que pode ser benéfica para nós ao mesmo tempo em que rejeitamos os malefícios que impomos a outras criaturas?

O prazer gerado pelo desprazer, que não é meu, porém dele sou estimulante, é melhor do que o prazer desconectado de uma gênese de desprazer? Se tenho capacidade de abdicar de algo que em algum momento da minha vida julguei importante para mim, por que eu não teria de abdicar de algo que não posso dissociar de seu caráter nocivo com base em seu processo produtivo?

Há importantes mudanças que dependem da dimensão do querer, do quanto o valorizamos ou atribuímos-lhe seriedade. E por que não ver com seriedade que é mais positivo contrapor a violência por trás do nosso consumo? Não digo que acabaríamos com toda a violência inerente, mas contribuir para reduzi-la o máximo possível não seria interessante e demonstraria que há uma empatia mais abrangente a ser exercida?

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