Podemos assistir a um filme, concordar com o que vemos, mas não aplicar isso em nossas vidas ou não atentar-se ao que essa consideração permite. Fazemos de uma situação algo especial em vez de tentar transformá-la em algo normal. É esse tipo de conclusão que permite um filme em que especialmente um animal, que seria morto, não é morto, enquanto outros animais, na mesma situação, não são normalmente pensados como se tivessem o mesmo interesse desse animal.
Um filme que fez com que eu voltasse a pensar nisso chama-se “Meios-Irmãos” de Luke Greenfield, e está disponível na Netflix. Não é um filme sobre o que citei acima, mas é um filme que permite pensar sobre o que citei acima, porque na obra um cabrito, que seria consumido em um churrasco, é resgatado pelo amadurecimento da percepção de um dos personagens em relação a esse animal.
É o “conhecer e o interagir com o animal”, e algo que passa a ser expressado como vínculo de “relacionamento” e “familiaridade”, o que já era discutido na Grécia Antiga por Teofrasto, que impede que esse animal tenha o fim de tantos outros.
É algo a se refletir sobre o relativismo em relação a tantos animais. Afinal, nunca dizemos que precisamos conhecer um ser humano para ser contra o fim arbitrário de sua vida. Quero dizer, se alguém apenas decidisse matar alguém porque quer matar esse alguém, um alguém que não conhecemos, diríamos que está tudo bem? É moral matar alguém apenas por querer?
É grande a quantidade de histórias e filmes com os quais nos deparamos em diferentes formatos, o que é muito comum também na literatura, em que há um “animal especial” que, por essa distinção, não terá o fim de outros iguais a ele.
Mas já percebeu como é comum e conveniente para o público manter a percepção restrita a esse animal-personagem, e não pensar na sua realidade enquanto de uma espécie e também em outras espécies que vivem realidade análoga?
Muitas pessoas quando assistem a um filme que poderia evocar um outro olhar, independentemente da intenção do autor, não relacionam isso com seus hábitos – há um fácil reducionismo à figura de “um ser” e que não é estendido a “outros seres”. Mas deveria ser assim?
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Boa comparação? De fato, qdo se pensa em humanos o conceito de direito se estende a todxs. Qdo se trata de animais, só mereceriam ficar vivos os que estão em extinção ou alguns com os quais desenvolvemos afeição.