Enquanto o gato sofria, sem possibilidade de recuperação pelo rápido avanço da doença, e a veterinária disse que não havia mais nada a ser feito, a não ser interromper esse sofrimento por meio da eutanásia, reagiu com a afirmação de que “só Deus tem o direito de tirar a vida”.
Entendeu a explicação de que não restava qualidade de vida para o gato.
Mantê-lo vivo seria prolongar seu sofrimento, que não poderia mais ser amenizado por nenhum tratamento.
“Viver agora é só sofrer, e da pior forma possível”, ouviu.
Horas depois, aceitou que o animal fosse eutanasiado. Não testemunhou a vida desaparecer, restando somente um corpo que já não se movia.
À noite, pediu perdão e repetiu que “só Deus tem o direito de tirar a vida”.
No dia seguinte, almoçou boi e jantou frango. Não disse que “só Deus tem o direito de tirar a vida”.
Há um selecionar a vida que deve ser abstraída, se pela eutanásia, pelo não sofrimento, se no matadouro, pelo que é vontade e desejo.
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É uma forte contradição, que por ser algo tão cultural poucos veterinários se questionam. Eles se alimentam dos seus pacientes. Bem creepy e triste.
Eu já pensei em ser veterinária, mas desisti só de pensar na dificuldade que eu teria com vivissecção, com os meus colegas comendo seus pacientes.
Eu não suportaria ver tanto sofrimento e não fazer nada.
Realmente uma contradição. Por isso sou vegetariana.
Sempre muito bons seus questionamentos. Parabéns!
Obrigado, Ivo!