Um projeto de lei da atual ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), que visa proibir o uso do termo leite para produtos de origem vegetal, está aguardando parecer do deputado federal Glaustin da Fokus (PSC-GO), relator na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços. A proposta foi encaminhada em maio, mas ele ainda não se manifestou sobre o projeto.
Em abril, o deputado Ricardo Izar (PP-SP) enviou requerimento para que o PL 10556/2018 fosse analisado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Ciência e Tecnologia. O objetivo seria avaliar o impacto da proposta.
“A matéria interage e afeta diretamente toda a cadeia de pesquisa, desenvolvimento, manufatura e industrialização de produtos de origem vegetal (plant based) no país, cuja relevância tecnológica e de inovação tem sido destaque em todo o mundo”, argumenta Izar.
No entanto, os pedidos foram rejeitados em junho sob a justificativa de “não relação”, ainda que o mercado de alternativas aos produtos de origem animal esteja associado tanto ao desenvolvimento sustentável quanto às novas tecnologias de produção alimentícia.
Entre os apoiadores da proposta na Câmara está o deputado Beto Pereira (PSDB-MS), que deu parecer favorável como relator na Comissão de Defesa do Consumidor.
“Os derivados lácteos não podem ser confundidos com produtos de origem vegetal, que utilizam nas embalagens as palavras e expressões queijo, manteiga, requeijão, iogurte, bebida láctea, leite condensado, creme de leite, doce de leite, e outros”, argumenta Tereza Cristina.
Tereza Cristina alega que isso cria uma concorrência dos produtos de origem vegetal com os de origem animal – como se isso fosse algo a ser impedido.
“O consumidor é induzido a crer que, ao adquirir um produto de origem vegetal, está ingerindo alimento similar ao leite de mamíferos quando, na verdade, está ingerindo extratos, sucos e farinhas, que não possuem o mesmo caráter nutricional do leite e dos seus derivados” diz a atual ministra, ignorando que quem compra alternativas aos laticínios o faz de forma consciente, na busca por opções de origem não animal.
Vale lembrar que outros deputados, como Aline Sleutjes (PSL-PR), Nelson Barbudo (PSL-RS) e Jerônimo Goergen (PP-RS) também são contra o uso de termos tradicionalmente vinculados aos alimentos de origem animal em referência a produtos de origem vegetal – e também já apresentaram sugestões e propostas contra esse uso.
O PL de Tereza Cristina também deve ser avaliado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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