Quando viu torcer o pescoço da galinha, que tentava escapar, começou a chorar. Foi no choro da criança que o avô sentiu vergonha de matar a galinha.
A menina antes olhava a galinha que olhava a menina. E o avô então olhava a menina que não queria olhar o avô.
O olhar da menina continuava em direção à galinha, mas a galinha não olhava de volta para a menina.
Havia um par de olhos vazios e a menina sabia que ali já não havia nada.
A cabeça que já não tinha sustentação a entristecia – uma moleza que vinha do que doía. “Precisava matar a galinha?”, perguntou.
O avô não soube o que dizer, porque ninguém nunca tinha perguntado. Era uma surpresa, que fazia pensar no que não tinha pensado.
Era a menina que via a galinha que o avô não via. Era como se vissem duas galinhas, uma para viver e outra para morrer.
Mas não é a que morre que também não deseja não morrer? Quantos olhares recebem um mesmo animal? O que dizem esses olhares?
Qual está mais próximo do que pode ser dito que seja a vontade do animal que não querem mais vivo do que morto? O avô ficou em silêncio por algum tempo.
Ainda segurava a galinha, que era somente corpo frágil que mais cedo corria pela capoeira e ciscava.
O avô aproximou-se da menina e prometeu não matar nem comer mais galinha.
A que morreu também ninguém comeria, prometeu. “E os outros?”, perguntou a menina.
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