Opinião

Quanto mais produtos veganos, melhor

Foto: iStock

O título acima não é um estímulo ao consumo desenfreado, mas uma defesa da premissa de que quanto mais produtos livres da exploração e da matança de animais forem lançados no mercado, melhor.

Experimentando mudanças de hábitos de consumo

Afinal, são opções que permitem até mesmo ao consumidor desinteressado no veganismo experimentar e antecipar mudanças nos seus hábitos de consumo. Isso é realmente relevante considerando que no mundo todo consumir produtos de origem animal ainda é parte de uma cultura predominante, mas que passa por significativas mudanças.

Mais importante do que apenas satisfazer veganos, que são minoria, embora o número de adeptos do veganismo esteja crescendo, é oferecer produtos de origem não animal que funcionem como estímulo principalmente para quem não é, mas que pode vir a ser.

Praticidade e acessibilidade

O mercado tem condições de contribuir, de forma intencional ou não, porque praticidade e acessibilidade também são fatores de importância para o consumidor. Se ele se depara com um produto de origem animal dividindo o mesmo espaço com um novo produto de origem vegetal que pode substituí-lo, isso pode evocar uma consideração que não existiria sem a oferta deste novo produto.

Com novas demandas, melhor disponibilidade de matérias-primas e o surgimento de produtos inovadores com preços mais competitivos, isso tende a levar o consumidor a refletir que estamos caminhando para que ele tenha cada vez menos pretextos para tentar justificar o consumo de produtos de origem animal, e/ou testados em animais, sob a já tradicional e cada vez mais injustificável alegação de não existir “outra opção de qualidade equivalente”.

Mudança também depende do reconhecimento da possibilidade

Independente de um produto ser considerado primário ou não, se uma pessoa o compra ciente de que livre de qualquer exploração animal aquele bem de consumo atendeu um anseio, ela pode ampliar o seu entendimento de que é possível não se limitar àquele produto, mas também transferir a mesma consideração a outros bens adquiridos, e estender isso também a outras formas de consumo.

Muitas vezes a mudança também depende da crença e do reconhecimento da possibilidade, proximidade e tangibilidade que ganham campo a partir da oferta e do estímulo, que podem instigar franca possibilidade de mudança sistemática da abstenção do consumo de produtos de origem animal.

Não se trata de supervalorizar produtos industrializados

Fazer tal apontamento não se trata de supervalorização de produtos industrializados, mas de entender que tipo de função esses produtos podem ter na sociedade atual quando cumprem um papel positivo, que envolve a redução de vários tipos de impacto.

Também reconheço como louvável a defesa da desaceleração do consumo de industrializados, o que cabe numa outra discussão, mas essa é uma escolha que deve ser feita pelo consumidor, pesando suas próprias demandas, predileções e rotina.

Então a menos que tenhamos contato com sua realidade, fazer uma crítica não criteriosa ou trivializada a respeito pode ser tanto um acerto quanto um equívoco.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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