Quem gostaria de ser ‘bem tratado” para ser morto em seguida?

Não existe abate que culmina em carne no açougue sem tentativa de inutilização cerebral, sem pendurar animais pelos pés, sem degola, sem sangria, sem decapitação, evisceração (Fotos: Pixabay/FFH)

No mercado, alguém no alto-falante diz: “Carne orgânica, de animais criados ‘livres’, que se alimentam apenas de pasto. Tudo isso dentro de altíssimas condições de bem-estar animal.”

“Aqui você encontra ovos de galinhas criadas soltas, que têm espaço para ciscar e manifestar suas características naturais.”

“Carne de frango orgânica de alto nível de qualidade, sem uso de antibióticos e produzida a partir de aves que vivem em ambiente livre de estresse.”

Basicamente são afagos na consciência humana. Quero dizer, você pode pagar um pouco mais para acreditar que está consumindo algo que te dizem que não envolve crueldade animal, que é um “produto ético”.

É como se dissessem, numa perspectiva capciosa e limitante, que “ao comprar esses produtos você permite que os animais tenham uma boa vida”.

Independente de supostas condições de bem-estar animal

Bom, independente de supostas condições de bem-estar animal, quando animais são reduzidos a pedaços de carne, não existe abate sem tentativa de inutilização cerebral, sem pendurar animais pelos pés, sem degola, sem sangria, sem decapitação, evisceração. Isso te parece boas condições de bem-estar – morrer sem querer?

Acredito que impormos um fim por conveniência a vida de um animal saudável anula qualquer bom tratamento que ele, por suposição, tenha recebido no período precedente.

E sobre galinhas criadas livres, assim como galinhas mantidas em confinamento (que são maioria na indústria de ovos brasileira), elas também serão abatidas com a queda na produção ou quando desenvolverem alguma enfermidade classificada como onerosa.

Galinhas poedeiras não envelhecem 

Ou você acha que criadores que visam lucro acumulariam centenas, milhares de galinhas que já não botam boa quantidade de ovos e as alimentariam até o fim de suas vidas?

Você imagina um cenário em que galinhas envelhecem? Galinhas podem viver por até dez anos, mas na indústria de ovos elas costumam viver por um ano a um ano e meio.

Além disso, a muda forçada ainda é o último recurso dessa indústria – em que galinhas podem ser submetidas a um jejum que as força a um choque metabólico para reiniciar a produção de ovos – o que pode provocar uma morte dolorosa por inanição.

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

Uma resposta

  1. Seria cômico, não fossem trágicas, essas elucubrações fantasiosas, interesseiras e oportunistas de propagandas enganosas, porque animais felizes são os que permanecem vivos, não os que são mortos. No entanto, essa preocupação atual de alardear a alegria dos animais na fazenda, antes de degolados, significa que o “bicho ta pegando” no pé dos vendedores de cadáveres, a pulga passeia atrás da orelha deles e essa nuvem de Veganismo crescendo e se espalhando na Terra é a causa dos grilos na cuca deles, antes ocupada apenas com cifrões. Isso significa que o público consumidor continua consumindo, claro, mas refletindo, vez em quando, o que é muito satisfatório, se comparado há algumas décadas, onde não se questionava sobre comer ou não animais. E isso se deve à propaganda maciça sobre o Veganismo, feita através de médicos, artistas, influenciadores de massas e ex matadores, ex fazendeiros, ex açougueiros, ex toureiros que testemunham o sincero arrependimento de quem despertou de um pesadelo onde eram assassinos, mas agora não querem ser mais. Mas é portas a dentro dos próprios lares que essa nuvem avassaladora e bendita se espalha através do berço dos recém natos, quando bebês mal saídos das fraldas, não alfabetizados, diante de pais e mães espantados balbuciam na linguagem própria deles, com energia e convicção incomum, entre soluços e lágrimas, que animais são seus amigos, por isso não podem come-los. Uma nova geração de gente acima do contexto já chegou, felizmente e todos vão ouvir o que vieram falar e imitar o que vão fazer, seguindo suas pegadas porque eles sabem aonde querem chegar, não importa quanto custe.

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