Um porco entrou no restaurante e percorreu as mesas. Sua carne era a preferida do dia. Pessoas sentiam algo entre as pernas e não reagiam. Não. Mexiam os pés, como se fosse incômodo de posição.
O porco guinchava e gemia. Cada mordida era um pequeno pedaço do seu corpo que sumia. Começou a sangrar e a esfregar-se entre as mesas, espalhando sangue. Pessoas escorregaram, mas logo se levantaram.
Não viram nada no chão e continuaram. Uma fincada de garfo aqui, um corte ali e o porco caiu de lado. Não conseguia andar. Faltava a maior parte do dorso, da carne das pernas e da barriga.
Levantou os olhos e sentiu a pele fritar. Que queimação! Alguém comia torresmo. O pé numa perna descarnada tremia. Ficou maneta e tentou se levantar. Não tinha onde se apoiar. Minutos depois, sobrou a cabeça.
Fechou os olhos, abriu – não era o fim. Como? Mais carne chegava. Olhou para um lado, para o outro e viu cabeças como a sua no chão. Algumas secaram e viraram cinzas que se espalharam pelas mesas. Mais um porco entrou no restaurante.
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