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Startup lança clara de ovo sem uso de galinhas

“Nossa nova marca transmite nossa visão de transformar fundamentalmente o sistema alimentar do século 21″ (Fotos: Divulgação)

A startup The Every Company, ex-Clara Foods, está lançando nos EUA um produto que promete ser “o substituto ideal da clara de ovo de galinha” e com “proteína idêntica à do ovo”.

A clara de origem não animal que recebeu o nome ClearEgg é resultado de um trabalho iniciado há sete anos a partir de fermentação de precisão, que consiste na produção de alimentos com base em microorganismos.

O produto foi criado para atender não somente à demanda da indústria alimentícia, mas de qualquer fabricante que utilize a clara de ovo convencional e esteja disposto a substituí-la.

“Nossa nova marca transmite nossa visão de transformar fundamentalmente o sistema alimentar do século 21 para que todos os humanos, em todos os lugares, possam desfrutar dos alimentos que conhecem e amam, sem prejudicar nosso planeta ou os animais no processo”, diz em um comunicado o CEO e fundador da Every, Arturo Elizondo.

“Criamos uma proteína inovadora”

O ClearEgg será distribuído para os mais diversos tipos de indústria por meio da fornecedora global de ingredientes Ingredion, que garantiu à Every US$ 40 milhões em investimentos. A startup também disponibilizará o produto no varejo por meio de uma parceria que deve ser oficializada ainda este ano.

“Criamos uma proteína inovadora que oferece às marcas funcionalidade culinária e a versatilidade que nunca viram antes”, afirma Elizondo. Para mimetizar a clara de ovo tradicional, a Every inseriu na levedura uma sequência de DNA idêntica à que pode ser encontrada na proteína do ovo.

Além disso, a levedura é alimentada com açúcar e se converte em proteína. Segundo o CEO da Every, o resultado final é uma proteína idêntica à do ovo, livre de açúcar e OGM, feita sem o uso de um único animal.

Substituindo a pepsina suína

Vale lembrar que este ano a fabricante do ClearEgg lançou uma versão vegana da pepsina suína utilizada na indústria de alimentos, suplementos e medicamentos, e também está sendo distribuída pela Ingredion.

Para a obtenção de um quilo de pepsina pelo método convencional são utilizados mais de cem porcos. Além do processo contribuir com a exploração animal, a produção é vista como insustentável.

Hoje, com preocupações envolvendo a gripe suína, a demanda por pepsina de origem não animal é muito maior do que a de anos atrás.

Segundo a Clara Foods, a tecnologia utilizada na produção da pepsina vegana é semelhante à de produção de insulina para diabéticos ou do ferro heme utilizado pela Beyond Meat em seus produtos.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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