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Tchecos desenvolvem carne de porco cultivada usando microalgas

A foodtech tcheca Mewery, de Brno, está desenvolvendo carne de porco cultivada usando microalgas em vez de soro fetal bovino. Segundo a empresa, a iniciativa é pioneira na Europa.

Sobre a escolha da carne de porco, o CEO Roman Laus argumenta que é a segunda mais consumida no mundo e a preferida em vários países da Europa e na China.

Segundo Laus, a Mewery, que pretende disponibilizar seus produtos no mercado em 2026, conta com uma tecnologia exclusiva que pode diminuir até 70% do custo de cultivo da carne livre de abate em comparação com outras foodtechs.

“A maneira como levamos carne por meio da agropecuária para nossa mesa não é sustentável – não pode continuar assim. Portanto, essa é uma das opções – não a única, mas uma – de como tornar nosso mundo mais sustentável e como fornecer proteína para uma população cada vez maior”, disse Laus em entrevista à Rádio Praga.

“É preciso realmente entender que o processo de cultivo de carne em laboratório é apenas mais um processo pelo qual as células crescem”, frisou e acrescentou que não é algo que as pessoas devam olhar com estranhamento.

Em seu site, a Mewery destaca que a cada segundo 48 porcos são mortos, enquanto a empresa não precisa matar nenhum animal para produzir sua carne cultivada.

Também afirma que suas emissões de carbono são 92% menores do que as emissões da produção de um quilo de carne de porco no sistema convencional, além de demandar 95% menos terra e 78% menos água.

Segundo a Mewery, como o processo funciona:

“Começamos por tirar uma amostra de células sem prejudicar o animal. Trabalhamos com células musculares e também com células-tronco e isolamos as mais adequadas para o cultivo. Assim como no animal, imitamos as condições para que as células cresçam e se dividam em células musculares e adiposas. Alimentamos as células com nutrientes como proteínas, vitaminas e fatores de crescimento usando nossa base patenteada de microalgas. Isso significa que não usamos FBS (soro fetal bovino) que é ética e economicamente inadequado. Estamos desenvolvendo biorreatores proprietários chamados cultivadores para fazer nossas células crescerem e se dividirem em condições naturais, o que ajuda a produzir maiores quantidades. A parte final é colher a carne do cultivador e aproveitar o resultado. Criamos carne a partir de carne sem matar um único animal.”

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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