Em um dia já distante, embora nem tanto, testemunhei no supermercado uma criança observando uma lata de sardinha e a chacoalhando. De repente, foi repreendida pela mãe.
A criança disse que “deve ser ruim ficar numa lata, deve ser ruim ser sardinha”. A mãe comentou “que não tinha problema porque não é sardinha viva e que sardinha não sofre”.
Concluí que a criança talvez tenha pensado apenas na ideia de “estar na lata”, independente de estado, o que incitou reação.
A embalagem trazia imagens bem coloridas de sardinhas, como uma edição especial para acréscimo de ludibriação. Entendi que isso era relevante na proporção que não era.
A criança não demonstrou ter sido cativada pelas imagens; por seu caráter, em contradição, lúdico. Também não disse nada sorrindo ou com expressão de graça. Colocou a lata de volta no lugar e seguiu a mãe.
Continuei na seção de enlatados e imaginei como seria se as sardinhas ganhassem vida dentro das latas, com as embalagens estufando, estourando e elas espalhando-se pelo mercado.
Com o ressurgimento das cabeças e fixação de partes, sufocariam no chão, lambuzadas de óleo de soja. E o fim precedente, da água para a industrialização, se repetiria. Algum impacto teria?
“Sardinhas são ágeis, têm grande envergadura de sofrimento e grande capacidade de impulsionamento corporal em situação de dor”, lembrei.
Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo:
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…