Vacina contra coronavírus é desenvolvida sem teste em animais

“Eu não acho que testá-la em um animal seja um caminho relevante para levar isso a um ensaio clínico”, argumentou o cientista Tal Zaks

19 pessoas foram selecionadas na primeira semana de março para receber a vacina contra o coronavírus (Foto: NY Post/Moderna)

Uma vacina experimental contra o coronavírus está sendo desenvolvida nos Estados Unidos sem a realização de testes em animais, de acordo com informações divulgadas esta semana pelo site norte-americano de notícias de saúde Statnews, que pertence ao grupo Boston Globe.

“Eu não acho que testá-la em um animal seja um caminho relevante para levar isso a um ensaio clínico”, argumentou o cientista Tal Zaks, diretor-médico da Moderna, uma empresa de biotecnologia, sediada em Cambridge, Massachusetts, encarregada de selecionar 19 candidatos humanos para receber a vacina.

Enquanto a Moderna realiza esse trabalho, os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA trabalham em pesquisas não clínicas. Os primeiros voluntários que receberão a vacina começaram a ser recrutados na primeira semana de março.

Segundo cientistas, a iniciativa de realizar testes em humanos na fase experimental também é justificada pela urgência da disseminação da doença, que já foi classificada internacionalmente como uma pandemia, considerando o seu impacto global.

Elsevier, testes em animais podem ser ineficazes

Um estudo divulgado em 2018 por um grupo de análise formado pela Elsevier, maior editora de literatura médica e científica do mundo, e pela Bayer, gigante do ramo farmacêutico, reconheceu que testes em animais podem ser ineficazes. O trabalho, intitulado “A big data approach to the concordance of the toxicity of pharmaceuticals in animals and humans”, que avaliou 1,6 milhão de reações adversas reportadas aos reguladores da União Europeia e dos Estados Unidos, foi publicado no Journal of Regulatory Toxicology and Pharmacology.

Os pesquisadores descobriram que testes em animais podem não garantir reações únicas relatadas em animais e em humanos. O estudo revelou que algumas das reações em animais após os testes nunca haviam sido observadas em um ser humano, e vice-versa.

“Todas as empresas de ciências da vida desejam diminuir os testes em animais, e com a pressão contínua dos governos, sociedades e grupos de bem-estar animal, as organizações farmacêuticas estão explorando maneiras de fazer isso”, disse o diretor de serviços científicos da Elsevier, Matthew Clark a PharmaTimes.

No mundo todo, organizações, estados e países estão adotando medidas para reduzir os testes em animais. Alguns estão indo além, lutando pelo banimento da prática, que já tem sido substituída por novas tecnologias que envolvem triagem de alta produtividade, modelos computacionais e chips baseados em cultura de células e tecido humano.

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