A contradição de resgatar um animal para matá-lo

Muitas situações em que se usa o termo “resgate” envolvem um animal criado para consumo sendo livrado de um perigo para, mais tarde, ser encaminhado para a morte

Foto: G1

O sentido de resgate é dos mais controversos quando se fala em um animal criado para consumo, porque o resgate leva a uma conclusão de que o animal está sendo salvo, mas isso é verdade? Ou o que ocorre é uma ação pela preservação de um interesse humano em relação ao animal?

Muitas situações em que se usa o termo “resgate”, e que é regularmente reproduzido pela mídia, também envolvem um animal criado para consumo sendo livrado de um perigo para, mais tarde, ser encaminhado para a morte.

Então o resgate é ressignificado sobre uma situação em que o mal que justifica o resgate deve ser superado para a realização do mal que prescinde de resgate porque é um mal intencionado, planejado.

Há situações em que o animal resgatado, e numa das estranhas contradições favorecidas pelo especismo, é churrasqueado em “retribuição ao seu resgate”.

É o contraditório sentido de salvá-lo para matá-lo, que surge pela normalização da ideia de que não é que o animal não deve morrer, e sim não deve morrer no local e da forma que não foi determinada.

Ainda assim pode haver uma grande romantização em torno desse resgate, porque há um foco no momento, na expressão do animal, naquela específica privação, e nem tanto em relação ao que será feito do animal depois, porque se houvesse seria preciso avaliar os próprios hábitos, ou seja, o que se consome.

Mesmo consumidores de carne tendem a demonstrar empatia por um animal nessa situação, uma empatia que tem relação com o local, com a conclusão de que o animal não pertence ao buraco, e sem levar a uma conclusão de que tampouco o animal deveria pertencer ao matadouro.

Afinal, é coerente lamentar somente um mal sendo que o animal será preparado para um outro mal?

Leia também “Como a romantização ajuda a perpetuar a exploração animal“.

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

2 respostas

  1. Amo os seus textos, mas espero que chegue o dia em que você escreverá sobre outro assunto, não mais sobre o especismo, porque então ele já não mais existirá.
    A impressão que tenho quando posto é a de que, postamos tão somente para outros veganos. Espero estar enganada.
    Gratidão por suas publicações 🙏🙏🙏🙏

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