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Agropecuária tem culpa sobre o preço alto dos alimentos

Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real

O título “Agropecuária tem culpa sobre o preço alto dos alimentos” pode parecer uma afirmação equivocada ou sem sentido, mas não é. Se a agropecuária gera grandes impactos ambientais a partir do desmatamento, elevadas emissões de carbono, degradação do solo, queimadas, incêndios florestais, é claro que isso gera ou favorece eventos climáticos extremos como severas e longas estiagens e enchentes cada vez mais graves.

E claro que essas consequências impactam na produção agrícola, porque geram grandes perdas de produção, dificuldades de produção e até mesmo impossibilidade de produção, e que vão se intensificando conforme esses problemas se tornam mais graves e frequentes. E sabemos que a crise climática não está diminuindo e sim aumentando. Então não podemos esperar por um cenário melhor enquanto os problemas que agravam essa realidade não são levados a sério.

Também sabemos que tanto a seca quanto as enchentes prejudicam a produção agrícola, e dessa forma, se os produtores são prejudicados, os consumidores também serão, porque as consequências sempre chegarão aos consumidores, principalmente por intermédio do mercado, da indústria. E a consequência mais comum, sabemos que é o aumento dos preços dos alimentos.

E quando falo em alimentos, é sobre todos os alimentos que as pessoas costumam consumir no cotidiano, incluindo o básico arroz e feijão, porque todos os alimentos básicos mais consumidos são e serão afetados por graves problemas ambientais.

E sendo a agropecuária a principal causa dos mais sérios problemas ambientais que estamos enfrentando hoje, impossível é não reconhecer sua culpa sobre os altos preços dos alimentos que são impulsionados por estiagens, enchentes e outros eventos climáticos extremos.

Logo se você reclama do preço alto dos alimentos, procure refletir sobre o que impulsiona essa realidade. Produzir alimentos depende de uma estabilidade ambiental cada vez mais ameaçada pelas ações nocivas da agropecuária, que interferem em tudo que é necessário para uma estabilidade e segurança na produção alimentícia. Afinal, não há como produzir alimentos sem um meio ambiente equilibrado, e que na própria Constituição é colocado como um direito de todo cidadão.

Precisamos compreender que quando se prejudica o meio ambiente se prejudica também o próprio viver humano. Afeta-se as condições de vida das pessoas e, como a maioria da população não é economicamente privilegiada, diferentemente de uma minoria, é ela que sofrerá primeiro as piores consequências dessa realidade.

Portanto alimentos mais caros estão relacionados sim ao impacto ambiental da agropecuária, se a agropecuária favorece uma maior constância de eventos climáticos extremos, uma realidade que afeta negativamente a produção de alimentos no campo.

Afinal, não há como manter um cenário de produção estável no campo, sem preocupações, se estamos o tempo todo testemunhando instabilidades ambientais e que estão se agravando. O que torna isso ainda mais grave é que tem-se estimulado o aumento da produção agropecuária no Brasil, e não o contrário. Então é inegável que a situação não é tratada com a seriedade que merece.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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