Até o final do dia estarão mortos no Brasil não menos do que 80 mil bois, 131 mil porcos e 16,7 milhões de frangos. Chegamos a esses números calculando os dados trimestrais da pecuária no país coletados pelo IBGE.
O total de animais privados de suas próprias vidas em benefício da produção e consumo de carne equivale a cerca de 150% da população do Paraná em número de indivíduos. Imagine quanto sangue é derramado para que possamos nos alimentar de carne. Seríamos capazes de encher quantas piscinas?
Com base nesses números do IBGE, concluímos que por dia o hábito de consumir carne no Brasil é responsável pelo derramamento de não menos que 6,16 milhões de litros de sangue de bovinos, suínos e frangos, sem considerar outras espécies e variáveis que podem elevar muito esse número.
Em um mês, são 184,8 milhões, o que daria pra encher muitas piscinas olímpicas. E se nos colocassem diante desse cenário? Seria chocante se deparar com tanto sangue fresco de animais recém-abatidos em nosso benefício, não? E o aroma concentrado de tal truculência?
Claro, nem todos se sensibilizariam, mas creio que muitos teriam uma dimensão do quanto nossos hábitos alimentares amparam uma violência incessante, e que parece pouco significante para quem não reflete sobre a abrangência dessa realidade.
Afinal, é a sangria decorrente da degola que, por tradição, decreta o fim da existência dos animais nos matadouros. O sangue escorre fazendo de tantas vidas nada mais do que porções líquidas que se esvaem de um corpo quente com um coração ainda pulsante. Então a vida acaba e o sangue também se torna subproduto.
Agora mesmo sangue está sendo derramado, assim como quando estivermos comendo, dormindo, nos divertindo, conversando. Não importa o que fazemos no momento. Sempre há animais vulneráveis recebendo golpes que terminam quando já não respiram e seus olhos trazem expressões de desespero, terror e medo.
A truculência não cessa, o sangue desce o dia todo, e será assim enquanto matadouros continuarem abertos “apenas porque gostamos de comer carne”, ou porque a supervalorizamos por conveniência, pouco considerando as implicações de tal predileção. Até quando nos alimentaremos de violência?
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