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Ativistas chineses pedem fim da matança no Festival de Yulin

“Eu não poderia acreditar que esses filhotes amigáveis ​​e inocentes seriam mortos para consumo se não estivéssemos lá” (Foto: HSI)

De acordo com informações da organização Humane Society International (HSI), ativistas chineses continuam fazendo apelo pelo fim da crueldade animal que sustenta o Festival de Lichia e Carne de Cachorro, mais conhecido como Festival de Yulin, que termina no dia 30.

A oposição ao evento que passou a ser realizado em uma área central conhecida como Mercado Nanchao desta vez é amparada em uma medida do governo chinês que excluiu em maio os cães da lista de animais que podem ser criados, comercializados e transportados para fins de consumo. Vale lembrar também que gatos também são consumidos no festival.

O especialista em política chinesa da HSI, Peter Li, diz que, em decorrência do coronavírus e do temor de alguns comerciantes, está havendo grande queda no fluxo de animais e visitantes do festival. Ele cita como exemplo que em anos anteriores milhares de cães que seriam abatidos poderiam ser vistos chegando no mesmo dia, o que, segundo ele, já não ocorre.

“Não acredito que isso termine da noite para o dia, mas o que os ativistas testemunharam pode indicar que as coisas estão mudando em Yulin. Espera-se que as cidades de Shenzhen e Zhuhai proíbam agora o abate e consumo de cães e gatos. A declaração do governo de que esses animais são considerados companheiros, e não carne, fornece um incentivo convincente para outras cidades seguirem o exemplo”, avalia Peter Li.

“Não poderia acreditar que seriam mortos para consumo”

A ativista chinesa Jenifer Chen conta que encontraram uma barraca que ainda mantinha cães vivos para o abate. Ao questionar o proprietário sobre a procedência dos animais, ele deixou que levassem os filhotes embora.

“Eu não poderia acreditar que esses filhotes amigáveis ​​e inocentes seriam mortos para consumo se não estivéssemos lá, e não posso acreditar que alguém iria querer comer essas criaturas adoráveis. Essa foi a minha primeira viagem a Yulin e o que vi no mercado realmente me chocou. Minhas mãos tremiam quando tirei o primeiro filhote da gaiola”, relata Jenifer.

E acrescenta: “As pessoas geralmente assumem que essas cenas horríveis são normais para a maioria dos chineses, mas simplesmente não é verdade. Fiquei tão chateada ao ver os filhotes sob o sol escaldante do verão, mas feliz por termos conseguido salvá-los do matadouro. Como o governo chinês disse, esses filhotes não são animais para consumo, e cidades como Yulin devem acabar com esse vergonhoso comércio de carne de cachorro.”

Em 2019, o movimento Nação Vegana Brasil conquistou grande atenção ao alcançar a marca de 2,3 milhões de assinaturas no site Change.org contra o festival e que foram entregues na Embaixada da China. Hoje o total já ultrapassa 2,78 milhões de assinaturas.

Para contribuir com o abaixo-assinado, clique aqui. 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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