Saiu uma matéria sobre um homem que foi atacado por um boi em um matadouro no Rio Grande do Norte. A publicação se concentra no “ataque” do animal – na ação que resultou na morte do homem que transportava animais para abate.
Segundo a matéria, o boi, que estava no curral do matadouro, de onde seria enviado mais tarde para o abate, correu em direção ao homem, o atingiu e o pisoteou. Assim como é comum em matérias sobre o assunto, a publicação se concentra somente na tragédia do homem. Reconheço que é uma morte lamentável, mas não podemos ignorar para qual finalidade o animal estava lá – para ser morto, não para receber um agrado.
Não vou especular sobre o boi ter visto algo que o assustou, mas a atitude dele expõe no mínimo um grande estresse, um grande incômodo. Matadouros não são ambientes agradáveis, não são locais para que animais se sintam bem.
Quando “ataques” como esse ocorrem, é um erro pensá-los unilateralmente, em desconexão com a própria condição do animal – porque o que é imposto a ele como fim no ser humano, sua redução a pedaços de carne, também impactará em seu comportamento como criatura que resiste.
Animais enviados para o matadouro expressam de diferentes formas essa rejeição – que é também uma forma de agência. Claro que muitos podem não agir como esse boi, mas o fato de existir aqueles que agem deveria nos fazer refletir sobre a exploração e a imposição de morte a tantos animais.
O comportamento desse boi e que resultou na morte de um homem expõe também como o problema não está somente na violência em forma de um disparo ou da degola – a violência contra o humano é reação à institucional violência contra o não humano (que pode ser também em forma de privação).
A morte do homem, então, é um tipo de “fatalidade” que ocorre em um ambiente de “fatalidades” (não humanas) que nunca cessam, com a primeira não sendo intenção por parte do animal, mas a segunda sendo o tempo todo uma intenção e um desejo pluralmente humanos – “fatalidades”, que não são reprovadas, que têm uma normalização como efeito cultural que as torna “irrelevantes” como notícia. Afinal, são mortos o tempo todo e tratados como “para a morte”.
Por isso a abordagem midiática apaga o mal da ação e do contexto para o boi, evidenciando somente o que, como ação do boi, era um interesse em conflito com tudo que estava diante dele – incluindo o homem que ele atinge não para matar, mas para se livrar. É o tipo de exemplo com o qual se pode também estabelecer analogia com o boi que atinge e pisa no peão na arena – ele quer se libertar do que para ele é um mal, de um grande desconforto, e se alguém morre não é porque o fim é matar e sim se livrar, sendo uma ação de autopreservação.
Para o homem que morreu no matadouro, a sua tragédia surge como consequência das imposições ao boi, portanto como consequência desse viver não humano que pode culminar em uma maior imprevisibilidade de estados, já que o animal é enviado para um lugar estranho de onde não retornará; após uma viagem que não se repetirá.
Concluir que isso é uma ação de “um boi enlouquecido” é, por reducionismo ou conveniência, ignorar toda a problemática dessa realidade. Ainda que a exploração e morte de animais seja institucionalizada, isso não quer dizer que o boi a aceitará. É também sua própria agência, que não pode ser totalmente anulada pelo ser humano, que culmina em consequências que podem também, como nesse caso, afetar um humano – resultando até em sua morte. Ou seja, o boi, em sua ação, não deixa de agir como “o seu próprio”, ainda que tudo esteja contra ele e que tudo vise ratificar que ele não pode ser “o seu próprio”.
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A notícia é sempre que o touro matou um homem e não o que é fizeram aos touros para eles retaliarem com violência. Deixem de maltratar seja o que for, sejam gentis até com uma pedra e peço-vos que deixem de comer tudo o que faz cócó!!!
Olé meu boi! Nada a lamentar só festejar...fazer um brinde a vc criatura linda e inocente que brilhantemente exorcizou mais um diabo traiçoeiro de dentro de um corpo imundo! QUE YESHUA, CRISTO DEUS ABENCOE OS ANIMAIS