Autor do Projeto de Lei (PL) 1019/2019, o deputado federal Alexandre Leite (União-SP) sugeriu a criação do Estatuto dos CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), alegando que a finalidade é regular o exercício das atividades de colecionamento, tiro desportivo e caça, “a fim de apaziguar as diferentes interpretações legais sobre o assunto e prevenir que caçadores, atiradores e colecionadores sejam presos indevidamente”.
Leite também foi o responsável por desarquivar o PL 6268/2016, do ex-deputado Valdir Colatto (MDB-SC), que visa a liberação da caça por meio de alteração no Código de Caça brasileiro, editado em 1967, e que deve ser analisado pelo deputado e relator Nelson Barbudo (PL-MT).
O biólogo João de Deus Medeiros, doutor em botânica e professor aposentado da Universidade Federal de Santa Cantarina (UFSC), aponta que o PL de Colatto, resgatado por Leite, vai além do que parece. É considerado preocupante porque abre um precedente mais amplo, de utilização, perseguição, aprisionamento, manutenção, caça, abate, pesca, captura, coleta, exposição, transporte e comércio de animais silvestres.
Também pode permitir modificar, danificar ou destruir ninhos, abrigos ou criadouros naturais, ou realizar atividade que impeça a reprodução de animais da fauna silvestre. Além disso, propõe o uso de cães para caçar em Unidades de Conservação (UCs), o que já é permitido pela Instrução Normativa Nº 12, de 25 de março de 2019, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro.
Para além da questão “conservacionista”, e de “proteção à vida e à propriedade”, o projeto defende que a caça pode se tornar uma fonte de renda, o que coloca os animais silvestres em uma situação ainda mais crítica de vulnerabilidade e incentivo à violência contra outras espécies de animais.
Autor do Projeto de Lei (PL) 2452/2011, Efraim Filho (União-PB) quer que a vaquejada, que consiste em puxar violentamente o rabo de um animal, seja elevada a esporte. A proposta já foi aprovada nas comissões de Meio Ambiente e de Esporte e precisa ser submetida apenas a mais uma comissão na Câmara – de Constituição e Justiça e de Cidadania.
“A vaquejada é uma das maiores festas populares, sendo uma manifestação cultural legitimamente brasileira que acontece há mais de 100 anos. A tendência da legislação brasileira, ao longo dos últimos anos, é reconhecer a importância da vaquejada”, alega Efraim Filho.
Ele defende que a prática seja realizada tanto de forma amadora, “como uma atividade livre”, quanto “profissional”. “A proposição visa estabelecer a vaquejada como uma atividade desportiva formal, vez que hoje, no Brasil, há centenas de vaquejadas realizadas em todo território nacional, em eventos não apenas recreativos, mas também profissionais.”
A classificação da vaquejada como esporte gera estranhamento porque uma prática esportiva depende do consentimento de todos os envolvidos. Quando são utilizados animais, não há consentimento, mas apenas condicionamento e sua participação é resultado de imposição.
Autor do Projeto de Lei (PL) 909/2021, Heitor Freire (União-CE) defende que a legislação facilite tanto o porte de arma de fogo para caçadores quanto o trânsito com arma municiada. Vale lembrar que até o final de 2019 o Brasil já contava com 82.567 caçadores com registros ativos de CACs. Incluindo colecionadores e atiradores, o total chegou a 396.955, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz.
A proposta de Freire que prevê alteração no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003) também beneficia atiradores e colecionadores, “pessoas cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de fogo”.
O PL é visto pelo autor como um aperfeiçoamento do Decreto 9.846/2019, submetido pelo presidente Jair Bolsonaro. Para o deputado, uma lei específica sobre o tema alterando o Estatuto do Desarmamento garante mais segurança a caçadores, atiradores e colecionadores.
Como relator do Projeto de Lei (PL) 6357/2013, que propõe a substituição da tração animal na área urbana por alternativas de propulsão humana ou motorizadas com o apoio do poder público, Kim Kataguiri (União-SP) emitiu um parecer reprovando a proposta na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público.
“Temos nos posicionado reiteradamente contrários a qualquer espécie de limitação ao exercício de atividades profissionais, salvo quando esse exercício implicar riscos à sociedade. Certamente, esse não é o caso do presente projeto”, argumentou Kataguiri como justificativa contra o PL que hoje aguarda designação de um novo relator.
Com o Projeto de Lei 6357/2013 também tramitam outras propostas que visam a adoção de alternativas em substituição à tração animal – como o PL 7022/2017, de Alex Manente; PL 270/2019, de Célio Studart; PL 753/2019, de Fred Costa; e PL 1357/2020, do Delegado Marcelo Freitas.
No Projeto de Lei 6357/2013 também consta que a substituição será precedida de cadastramento dos condutores de carroças, que deverão ser encaminhados para a realização de cursos de qualificação profissional que incentivem a formação de cooperativas e associações.
O senador Rodrigo Cunha (União-AL) posicionou-se contra o texto original do Projeto de Lei da Câmara 27/2018, também conhecido como PL “Animal não é coisa”, que visa reconhecer os animais como sujeitos de direitos despersonificados. Cunha apresentou uma emenda em que destacou que “não é possível que os animais sejam elevados a categoria de sujeito de direitos ainda que despersonificados”. Além disso, na emenda apresentada em agosto de 2019, defendeu a vaquejada e “outras manifestações culturais” que envolvam animais.
Saiba Mais
O União é resultado da fusão do Partido Social Liberal (PSL) com o Democratas (DEM)
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…