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Desmatamento pode aumentar durante pandemia de coronavírus

ALTAMIRA, PARA, BRAZIL: Aerial image of burning in Altamira, state of Pará. (Photo: Victor Moriyama/Greenpeace)

No Brasil ainda hoje o governo não tem coibido como deveria o desmatamento. Uma prova disso são os números do desflorestamento em 2019, que apontam aumento de 85,3% em comparação com 2018, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Esse percentual é referente ao aumento de uma área de desflorestamento de 9.165,6 quilômetros quadrados na Amazônia Legal, com base no Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter).

Somente em junho do ano passado o sistema apontou que houve degradação de uma área amazônica de 2.072,03 quilômetros quadrados. A situação não é crítica somente na Amazônia.

De acordo com dados do Inpe, somando os biomas Amazônia e Cerrado, o número de alertas de desmatamento chegou a 58.106 entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020.

Apenas entre agosto de 2018 e julho de 2019 o Cerrado perdeu uma área de vegetação nativa de 648 mil hectares – o que equivale a uma cidade de São Paulo a cada 90 dias.

Apesar disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não cumpriu o número de fiscalizações ambientais previstas no Plano Nacional Anual de Proteção Ambiental em 2019.

Além disso, com a pandemia de coronavírus, o Ibama anunciou recentemente que um terço dos agentes de campo não poderão mais continuar participando de fiscalizações porque estão no grupo de risco da covid-19 – seja em decorrência da idade ou de problemas de saúde.

Como a realidade já era preocupante em 2019, cenário tende a beneficiar ainda mais ações de desmatadores que podem ver a situação como uma oportunidade que favorece mais impunidade em relação aos crimes contra o meio ambiente em 2020.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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