Exportação de gado vivo é motivada pela ganância

Se pudessem e tivessem mercado, venderiam tudo para fora, deixando para a população somente os custos ambientais

Exportação de gado vivo é indissociável da ganância. Podem usar falsas afirmações sobre geração de emprego, mas a verdade é que a motivação é a ganância. É sobre enviar animais para outros países para lucrar mais, receber em dólar. E com isso, ainda conseguem manipular os preços no Brasil de acordo com seus interesses.

O discurso de levar “comida” para a mesa do brasileiro é uma das maiores mentiras. Se pudessem e tivessem mercado, venderiam tudo para fora, deixando para a população somente os custos ambientais.

Uma grande prova do quanto o Brasil não dá a mínima para a crueldade animal quando permite esse tipo de transação, que persiste hoje por causa da grande influência da Frente Parlamentar da Agropecuária no meio político, representada por 352 deputados federais e senadores, é que no Brasil a legislação sustenta que “determinados” tipos de abate de animais não são permitidos.

Mas quando eles exportam “gado vivo”, tudo que determina a legislação já não tem validade. Nem mesmo as contraditórias leis de “bem-estar animal” se aplicam a essa realidade e porque esses animais já não serão tratados de acordo com a legislação brasileira. Portanto o Brasil “lava as mãos” sobre como esses animais são mortos.

Só de janeiro a novembro de 2024, o Brasil enviou quase um milhão de jovens bovinos vivos para outros países. Enfim, qualquer justificativa que visa a manutenção dessa prática é puramente ganância, e qualquer decisão que a favoreça, no âmbito legislativo ou judiciário, é endosso a essa ganância.

Não dão a mínima para os animais. Os navios têm até um espaço chamado de “graxaria”, e não é aquele que serve somente para descartar dejetos dos animais (resultando em poluição ambiental), mas também para triturar os animais que morrem nessas viagens.

E o custo ambiental que fica no Brasil para que uma minoria seja beneficiada? Mesmo políticos que são contra essa prática tendem à omissão. Não entram nessa briga por receio de retaliação, de não ter apoio em outras questões, já que a FPA é a maior bancada do Congresso. Mas o que está sendo feito hoje para enfraquecer o arbitrário poder dessa bancada? Nada.

Clique aqui para saber quem são os membros da FPA.

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Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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