Categorias: NotíciasPolítica

Nelson Barbudo apresenta requerimento contra PL que reconhece animais como sujeitos de direitos

Foto: Michel Jesus/Câmara

Na semana passada, o deputado federal Nelson Barbudo (PL-MT), da base governista, apresentou um requerimento contra o Projeto de Lei 6054/2019, que reconhece os animais como sujeitos de direitos despersonificados e passíveis de tutela jurisdicional, assim vedando o tratamento como “coisas”.

Como a proposta que retornou à Câmara seria avaliada somente pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Constituição e Justiça e de Cidadania, Barbudo exigiu que a proposta também fosse submetida à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

O pedido de Nelson barbudo, que já declarou que “reconhecer animais como sujeitos de direitos é uma aberração jurídica”, foi atendido ontem (13) pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), permitindo que o PL seja submetido mais uma vez aos interesses da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que hoje comanda tanto a Comissão de Agricultura quanto de Meio Ambiente.

“Apesar da excelente iniciativa do Senado, com a aprovação da emenda excluindo do escopo da proposta os animais de produção, os de manifestações culturais e os utilizados em pesquisa, ainda há grande insegurança jurídica com relação ao tema”, diz Barbudo.

Ele acrescenta que, mesmo com as modificações no projeto de lei, vedar o tratamento dos animais como “coisas” pode garantir que não sejam comercializados, por exemplo.

“A possibilidade de o animal ‘obter tutela jurisdicional para garantir seus direitos’ pode vir a permitir que os animais pleiteiem judicialmente medida que impeça sua comercialização, ou que ele seja castrado, ou ainda que a ele seja garantido o direito de herança, etc, impactando diretamente as atividades pecuárias.”

Ele acrescenta que reconhecer que os animais não humanos possuem natureza “sui generis” é dar carta branca ao intérprete da lei, trazendo subjetividade ao texto legal.

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural será a primeira a avaliar o PL 6054/2019, para então ser submetida à de Meio Ambiente e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Clique aqui para saber mais sobre o projeto de lei.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

2 semanas ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

3 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

4 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

1 mês ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

2 meses ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 meses ago