Meio Ambiente

ONU renova alerta sobre impacto da agropecuária no meio ambiente

Gado em área de pastagem em região desmatada da Amazônia (Foto: Michael Nichols/National Geographic/Getty Images)

Em dezembro, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da FAO, publicou um artigo alertando mais uma vez que é preciso frear o impacto da agropecuária e da pesca comercial no meio ambiente.

Na publicação, a organização manifesta grande preocupação com as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção animal.

“As emissões devem ser reduzidas até 2030 para atingir a meta de limitar o aumento do aquecimento global a 2°C”, defende a FAO no artigo “Transforming agri-food systems to feed the world and tackle climate change”.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura sustenta que alimentar a crescente população mundial e ao mesmo tempo limitar os impactos das mudanças climáticas é um dos maiores desafios do nosso tempo.

“Exigirá uma transformação radical do sistema agroalimentar”

“Exigirá uma transformação urgente e radical de nosso sistema agroalimentar”, aponta a entidade que em dezembro também defendeu que 2021 deve ser “O Ano dos Vegetais”, em referência à importância de nos voltarmos mais à produção e consumo de alimentos de origem não animal, que demandam menos recursos naturais, como solo e água. Para isso, será preciso contar com apoio de governos e lideranças globais.

A observação vem em um momento em que o Brasil não está cumprindo o seu papel na redução de emissões provenientes da agropecuária e de algumas outras atividades. Afinal, o país fechou 2020 emitindo cerca de 1,6 bilhão de toneladas, sendo o sexto maior emissor do mundo.

Considerando o crescente desmatamento de vários biomas brasileiros em 2020, o que foi exaustivamente associado às queimadas para formação de pastagens e cultivo de grãos para alimentar animais criados para consumo, o Brasil continua distante de sua obrigação de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 81% até 2030 em comparação com os níveis de 2005.

Em outubro

Em um artigo publicado em outubro, a Organização das Nações Unidas defende mais uma vez a redução do consumo de carne. A publicação intitulada “Eating better – for us and the planet” destaca que os consumidores podem não perceber como suas escolhas alimentares afetam o meio ambiente e a própria saúde.

Segundo a ONU, a população mundial deveria consumir muito menos proteína animal, considerando que a pecuária é uma das principais causas das mudanças climáticas e, na maior parte do mundo, as pessoas já consomem mais alimentos de origem animal do que deveriam.

Saiba Mais

Para 2021, a ONU defende uma estratégia de comunicação e informação com escolas para a criação de programas de merenda baseados em vegetais e promoção de hortas em coberturas de prédios de grandes cidades.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

2 semanas ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

3 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

4 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

1 mês ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

2 meses ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 meses ago