Em dezembro, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da FAO, publicou um artigo alertando mais uma vez que é preciso frear o impacto da agropecuária e da pesca comercial no meio ambiente.
Na publicação, a organização manifesta grande preocupação com as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção animal.
“As emissões devem ser reduzidas até 2030 para atingir a meta de limitar o aumento do aquecimento global a 2°C”, defende a FAO no artigo “Transforming agri-food systems to feed the world and tackle climate change”.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura sustenta que alimentar a crescente população mundial e ao mesmo tempo limitar os impactos das mudanças climáticas é um dos maiores desafios do nosso tempo.
“Exigirá uma transformação urgente e radical de nosso sistema agroalimentar”, aponta a entidade que em dezembro também defendeu que 2021 deve ser “O Ano dos Vegetais”, em referência à importância de nos voltarmos mais à produção e consumo de alimentos de origem não animal, que demandam menos recursos naturais, como solo e água. Para isso, será preciso contar com apoio de governos e lideranças globais.
A observação vem em um momento em que o Brasil não está cumprindo o seu papel na redução de emissões provenientes da agropecuária e de algumas outras atividades. Afinal, o país fechou 2020 emitindo cerca de 1,6 bilhão de toneladas, sendo o sexto maior emissor do mundo.
Considerando o crescente desmatamento de vários biomas brasileiros em 2020, o que foi exaustivamente associado às queimadas para formação de pastagens e cultivo de grãos para alimentar animais criados para consumo, o Brasil continua distante de sua obrigação de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 81% até 2030 em comparação com os níveis de 2005.
Em um artigo publicado em outubro, a Organização das Nações Unidas defende mais uma vez a redução do consumo de carne. A publicação intitulada “Eating better – for us and the planet” destaca que os consumidores podem não perceber como suas escolhas alimentares afetam o meio ambiente e a própria saúde.
Segundo a ONU, a população mundial deveria consumir muito menos proteína animal, considerando que a pecuária é uma das principais causas das mudanças climáticas e, na maior parte do mundo, as pessoas já consomem mais alimentos de origem animal do que deveriam.
Para 2021, a ONU defende uma estratégia de comunicação e informação com escolas para a criação de programas de merenda baseados em vegetais e promoção de hortas em coberturas de prédios de grandes cidades.
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