Saúde

Pele cultivada na Escócia pode ajudar a acabar com testes em animais

Cientistas do laboratório Ten Bio, fundado na Escola de Ciências da Vida da Universidade de Dundee, na Escócia, criaram uma tecnologia chamada TenSkin, que consiste em uma pele cultivada em laboratório que reproduz com mais fidelidade as reações da pele humana do que outros tipos, assim permitindo testes de segurança mais precisos.

Segundo Robyn Hickerson e Michael Conneely, o material pode substituir uso de animais em testes nas indústrias cosmética e farmacêutica, já que garante melhores resultados sobre os efeitos em humanos.

“Embora os animais possam servir como bons análogos para estudar princípios gerais, esse método é falho quando se trata de detalhes específicos devido às diferenças entre as espécies. Esses detalhes são importantes quando se trata de desenvolver medicamentos seguros e eficazes para humanos”, avalia a dra. Robyn Hickerson em publicação da Universidade de Dundee.

E acrescenta: “Mais de 90% dos medicamentos comprovadamente seguros e eficazes em animais falham durante os ensaios clínicos. Nosso modelo ajudará a reduzir essa taxa de falha onerosa.”

Segundo Coneely, o maior diferencial desse tecido cultivado em laboratório é que permite a mesma tensão da nossa pele:

“Outros modelos não incorporam essa tensão, e é por isso que nosso produto é mais eficaz. Quando a pele é removida do corpo, ela se contrai quando a tensão diminui. Esticando a pele até uma tensão ideal, criamos um modelo que permitirá às empresas farmacêuticas e de cosméticos gerar dados pré-clínicos que serão muito mais preditivos do que provavelmente é visto na área clínica”.

O laboratório já fechou um contrato com uma empresa global de cosméticos, embora o nome ainda não possa ser divulgado.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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