Política

PL que beneficia consumidores veganos está parado na Câmara

Proposta foi apresentada ex-deputado federal Leonardo Mattos (então do PV-MG) (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Um projeto de lei que beneficia consumidores veganos está parado na Câmara. Sugerido pelo ex-deputado federal Leonardo Mattos (então do PV-MG), o PL 3479/2004 propõe que produtos com qualquer substância ou ingrediente de origem animal recebam um selo de identificação.

“A comercialização fica condicionada à inserção de selo na embalagem, recipiente ou rótulo que identifique a presença de tais ingredientes ou substâncias”, frisa Mattos, acrescentando que isso também vale para o que for utilizado mesmo sem ser considerado ingrediente.

O deputado destaca que em 2004, quando apresentou o PL, a exigência já não poderia ser considerada de pouca relevância, porque já possuía como fundamento e orientação o crescente número de brasileiros que não consumiam produtos de origem animal – o que aumentou muito mais em 17 anos.

A última vez que o projeto de lei foi analisado na Câmara foi em 2017, quando a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania o aprovou após receber parecer favorável do deputado Afonso Motta (PDT-RS).

Antes foi rejeitado na Comissão de Defesa do Consumidor pelo relator e ex-deputado Pastor Pedro Ribeiro (então do PR-CE), que concorreu ao Senado em 2018 pelo PSL.

“Cremos que a aprovação resultaria em aumento de custos de produção e em decorrente
repasse aos destinatários finais, sem correspondente contrapartida de benefícios
para o consumidor”, alegou Ribeiro.

Defesa do direito à informação

A proposta também passou por exigência de modificações na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, onde o ex-deputado Waldemir Moka (então do MDB-MS) apresentou um substitutivo com a exclusão de produtos de origem animal não alimentícios – como artigos de vestuário com couro, lã, seda, etc.

“Tal generalização parece-nos desnecessária e passível de acarretar dificuldades adicionais ao processo de produção agropecuária, sem qualquer proveito para a sociedade”, alegou Moka.

Leonardo Mattos sustenta que o direito à informação clara e visível sobre os produtos comercializados é previsto expressamente no código do consumidor. Contudo, os rótulos  em geral trazem informações ininteligíveis para a maioria dos consumidores.

“Assim podemos confirmar que não existe por parte da indústria alimentícia o propósito de informar, pois apenas um especialista poderia decifrar o grande número de nomes científicos e complicados constantes nos rótulos e embalagens de produtos”, avalia o autor do PL 3479/2004.

Clique aqui para opinar sobre o projeto de lei.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago