Pintinhos estão ali e então já não estão. Movem-se sem parar dentro da caixa na granja de ovos, escalando-se, piando, olhando pelos buracos arredondados da caixa. Energia, curiosidade, saúde, vivacidade.
Mas há vestígios de sangue por toda a caixa. Um sinal? Não sentem outro chão que não da caixa. Só trocados de caixa. Uma revela quem vive, outra quem morre. Machinho? Não botar ovo é a morte. É sim.
São amontoados outra vez, sem sentir corpos misturados, sem vida. Quem há pouco estava em pé é reduzido a uma matéria mole. Corpos cobrem corpos. Cabeças desaparecem e os pezinhos que nunca ciscarão apontam para diferentes direções.
Como é não viver além de um dia? Caixas são reaproveitadas, e o sangue de um pode misturar-se ao sangue de outro. Caixa do vivo pode ser a caixa do morto, numa alternância que revela que viver, que não é viver, é só pra morrer. Quem quer ser?
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