Em um mundo onde ainda é supervalorizado o consumo de alimentos de origem animal, e principalmente de carne, é importante destacar que pelo menos 76% da população mundial obtém a maior parte de seus nutrientes a partir dos vegetais, de acordo com informações divulgadas pela Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard e pela Organização das Nações Unidas (ONU).
No entanto, muitas pessoas ainda se referem à carne e outros alimentos de origem animal como se fossem até mais importantes do que os vegetais – e apenas por associarem proteínas com produtos de origem animal, embora a proteína que consumam a partir desses alimentos só existe porque os animais obtêm seus nutrientes se alimentando de vegetais. Logo, o que seria de nós sem os vegetais?
Um simples exemplo do quanto é equivocada a crença de que “proteínas de verdade” precisam vir de animais é que isso não faz sentido para o nosso organismo. Afinal, a demanda é por nutrientes, não por alimentos de origem animal; e desde que estejamos ingerindo uma boa fonte de proteína, é isso que importa. E hoje, mais do que em qualquer período da história, sabemos que há inúmeras opções entre os vegetais que cumprem muito bem essa função.
Mas então o que explica as pessoas falarem que amam tanto carne, como se apenas comessem carne, quando seu consumo de vegetais equivale a maior parte de sua ingestão de nutrientes? Perpetuação de hábitos, condicionamento, desinformação e perspectiva conveniente da realidade.
Além disso, não há alimentação mais sustentável do que uma dieta à base de vegetais. Afinal, é a que mais contribui com o meio ambiente – favorecendo redução do desmatamento intensificado pela agropecuária e ajudando a combater as mudanças climáticas ao reduzir as emissões de carbono. E alcançando isso, contribuímos positivamente com o valor nutricional dos alimentos, assim beneficiando nossa saúde, segundo a ONU.
“Podemos reduzir o risco de eventos climáticos extremos e, consequentemente, proteger o rendimento das colheitas. Isso é particularmente importante para os pequenos agricultores. Proteger a natureza significa proteger os meios de subsistência e as economias.”
Tudo isso se torna mais importante ainda se considerarmos que até 2050 o mundo terá uma população de 10 bilhões e uma preocupante estimativa global de que doenças crônicas possam atingir até 56% da população mundial nos próximos 30 anos.
Logo é urgente fazermos o possível não apenas para nos alimentarmos melhor, mas também para garantir que tenhamos um meio ambiente mais saudável, porque a maneira como nos alimentamos impacta diretamente nisso. E sem um meio ambiente saudável, podemos comprometer a produção de alimentos de boa qualidade e a nossa própria saúde.
“Restaurar a biodiversidade significa fortalecer a resiliência dos sistemas alimentares, o que permite que os agricultores diversifiquem suas produções e lidem com pragas, doenças e mudanças climáticas, reduzindo também a propagação de zoonoses e seus impactos econômicos – como o que o mundo enfrenta atualmente”, frisa o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
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Por melhor que pareça esse percentual maioritário ainda é pouco porque significa que animais ainda estão sendo barbarizados pelo ser humano implacável e perverso. Cem por cento da população consumindo vegetais é a meta ideal, tanto racional quanto ética e já é tarde se o mundo inteiro acordar hoje a fim de reconhecer que animais são amigos, não comida. Ja é muito tarde porque todos os inocentes mortos e trucidados apenas para virar almoço, não voltam para viver a vida que roubamos deles. Não voltam.