
Embora vacas sejam vistas, criadas e tratadas pela sociedade apenas como um meio de obtenção de leite e lucro, elas têm inúmeras características e capacidades subestimadas e pouco conhecidas.
O que favorece essa desatenção é o fato de que suas vidas são pautadas pelas determinações de um mercado que as qualifica como úteis enquanto produtivas e descartáveis quando não rentáveis à produção leiteira.
No entanto, independente da atribuição exploratória que a sociedade dá às vacas, o que permite não vê-las como realmente são, vale destacar a princípio que são animais com sentidos altamente desenvolvidos.
“Por terem olhos nas laterais de suas cabeças, podem ver o que está ao redor e atrás delas – elas têm um alcance visual de mais de 300° em comparação com nossos 180°. Quando abaixam a cabeça para pastar, esse alcance aumenta para quase 360°, dando-lhes uma visão quase panorâmica”, explica a organização World Animal Protection (WAP).
Segundo a entidade, as vacas também têm excelente audição, o que explica por que ruídos altos as deixam estressadas. Elas também são capazes de sentir odores a até oito quilômetros de distância.
“Todos esses sentidos combinados significam que elas são muito boas em detectar perigo ou ataque. Mas seus sentidos não são totalmente perfeitos: elas são daltônicas para o vermelho e verde, vendo essas cores como tons de preto e cinza”, informa a WAP.
Quando estão juntas
Vacas também sentem-se mais felizes e seguras quando estão juntas. “É normal que elas formem laços estreitos com duas a quatro outras vacas em seu grupo. Quando têm oportunidade, elas gostam de dormir perto de seus amigos e familiares para proteção”, garante a entidade.
Além disso, têm boa capacidade de reconhecimento e podem se recordar por anos de pessoas que as trataram mal. “Também gostam de brincar. Com espaço, elas correm e perseguem umas às outras e até brincam com bolas. Brincar é também a forma como as vacas aprendem sobre suas companheiras e a como se dar bem em grupo.”
Um estudo liderado pelo Dr. Daniel Weary, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, vai ao encontro dessa percepção ao revelar que vacas leiteiras e bezerros ficam muito angustiados quando separados uns dos outros, o que é prática comum na indústria leiteira.
“Ele também descobriu que vacas leiteiras mantidas sozinhas ficam ansiosas e deprimidas”, acrescenta.
Laços muito íntimos
“Mães e bebês têm laços muito íntimos. Sabe-se que as mães mantidas ao ar livre andam muitos quilômetros procurando por seus filhotes perdidos.”
A WAP explica que é comum rebanhos de vacas atuarem juntos para proteger os bezerros, e algumas raças têm um sistema de “vaca de guarda”, em que algumas se revezam enquanto outras pastam.
Já uma pesquisa da entidade em parceria com o Royal Veterinary College reforçou o quanto o carinho é importante para elas.
“As vacas leiteiras gostam de lamber umas às outras – geralmente no pescoço – e de serem acariciadas. Isso as ajuda a criar laços.”
Vacas também são muito curiosas e gostam de desafios. “Em um estudo, pesquisadores incumbiram as vacas de abrir uma porta para chegar até a comida. Eles descobriram que a frequência cardíaca dos animais aumentou e suas ondas cerebrais mostraram entusiasmo – algumas vacas até saltaram de empolgação”, referencia a World Animal Protection.
Vale citar também que Alexandra Green, uma acadêmica da Universidade de Sydney, na Austrália, descobriu que as vacas usam até 333 sons diferentes para se comunicarem.
2 respostas
Como não amar essas doces criaturas ?
Desejo imensamente que nossa espécie aprenda a respeitä – las e a todos os seres vivos.
Que ótimo texto ! É bom saber mais sobre o comportamento dos animais e seus sentimentos. Como não amar essas doces criaturas ?
Desejo imensamente que nossa espécie aprenda a respeitá – las e a todos os seres vivos. Ser humano precisa rever seus conceitos urgentemente.