Artista alemã defende fim do consumo de animais

Denise Hof: "Percebi que não havia diferença entre um cachorro, um porco ou um bezerro"

Porcos com expressão de contentamento percorrendo o campo em liberdade, diante de uma vastidão sem limites (Pinturas: Denise Hof)

Porcos com expressão de contentamento percorrendo o campo em liberdade, diante de uma vastidão que parece sem limites; um bezerro nos observando sobre a gaiola antes utilizada para mantê-lo em confinamento até o momento de ser encaminhado ao matadouro; e uma figura humana harmonizando com animais de diferentes espécies que subjugamos com as mais diversas finalidades.

Essas descrições podem ser encontradas nas obras da artista alemã Denise Hof. Por meio de mensagens visuais que inspiram a necessidade de uma convivência mais pacífica entre humanos e outras espécies, ela defende que isso só pode ser possível com o fim do consumo de animais.

“Meu amor por animais foi inicialmente limitado aos animais de estimação mais comuns. Em 2012, depois de alguns contatos e encontros, percebi que não havia diferença entre um cachorro, um porco ou um bezerro. Percebi que um pintinho é tão fofo quanto um pardal e por isso decidi me tornar vegana.”

Enquanto algumas de suas pinturas inspiram a beleza da não violência, do reconhecimento da importância da pacificação de nossos hábitos que implicam em consequências para outras espécies, outras trazem uma vaca em um mugido lamurioso após a perda do filho, de quem foi separada para que o seu leite fosse destinado ao consumo humano.

O animal lamenta sob um céu vermelho, que traz uma representação do filho perdido – o sangue derramado de uma criança de outra espécie, que quando nasce macho é classificado como um indesejado subproduto da indústria leiteira; e logo tem sua morte decretada sob a justificativa de ser uma “existência onerosa”.

Um porco confinado em uma gaiola, de onde só sairá quando chegar o dia do abate, também mantém sua atenção voltada para o espectador – como se confrontasse quem financia sua prisão e morte para comer bacon, bisteca, ossobuco, maminha e costela, entre outras partes que proporcionam uma satisfação que não ultrapassa poucos minutos. Seria este o valor de uma vida? É o que a arte de Denise Hof nos incita a questionar.

Ademais, o porco utiliza uma máscara em referência à contaminação de gripe suína (H1N1) – doença que só existe porque, em nome do lucro, a humanidade decidiu confinar o maior número possível de porcos, assim favorecendo um ambiente ideal para proliferação de doenças, incluindo zoonóticas. Ou seja, que atingem também humanos.

Partindo do referencial artístico de Denise Hof, a exploração e o confinamento de animais têm um custo muito alto, e que ainda é pouco racionalizado. Afinal, por que impor privação, sofrimento e morte a outras criaturas quando é possível se abster disso? Não deveríamos pesar as consequências?

“Colocar minha criatividade a serviço dos animais, dar aos animais que estão no anonimato um rosto, mostrar sua essência, tornou-se e continua sendo minha missão. Sua beleza e seu sofrimento são temas de minhas pinturas.”

A realidade humana poderia ser bem diferente se não reduzíssemos os animais a alimentos e outros produtos. Mas, como destacado também no universo idealizado pela artista alemã, com boa vontade, ainda podemos mudar.

Acompanhe o trabalho de Denise Hof:

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