Assassinato de veterinário belga que investigava hormônios na carne completa 26 anos

Van Noppen atuava como inspetor do governo belga e investigava práticas ilegais de pecuaristas e empresários (Fotos: Getty)

Em fevereiro completou 26 anos que o médico veterinário belga Karel Van Noppen, de 43 anos, foi assassinado por investigar “A Máfia dos Hormônios do Crescimento”.

Van Noppen atuava como inspetor do governo belga e investigava práticas ilegais de pecuaristas e empresários envolvidos em um grande esquema de hormônios do crescimento usados na indústria da carne.

A prática já era tipificada como criminosa desde 1989. “Um grupo estava ganhando dinheiro com injeções de hormônios ilegais para engordar o gado mais rápido e a custos mais baixos”, informa publicação da BBC de 5 de junho de 2002.

Os colegas de Van Noppen declararam que ele estava perto de desmascarar os líderes de uma rede que abrangia a Bélgica e a Holanda, e provavelmente se estenderia até a França, quando foi morto a tiros em 20 de fevereiro de 1995 em frente à sua casa e ao lado de sua mãe, na vila de Wechelderzende, na Antuérpia.

Morte teve grande repercussão na Bélgica em 1995

“Outro veterinário belga teve a porta da frente alvejada a tiros. Um eurodeputado que fez campanha contra o comércio de hormônios teve um coquetel molotov e uma granada de mão lançados contra ele. Outros veterinários foram espancados”, revela edição do The Independent de 16 de março de 1996.

A morte gerou grande repercussão na Bélgica em 1995, e três homens receberam sentenças de prisão de 25 anos: Albert Barrez, o autor do assassinato; Carl de Schutter, o mentor; e Germain Daenen, um dos mandantes. Um quarto réu, chamado Alex Vercauteren, que também era um dos mandantes, recebeu a maior condenação do sistema judiciário belga – prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Ainda assim, muitos dizem acreditar que a “Máfia dos Hormônios” jamais tenha deixado de existir. A história de Karel Van Noppen inspirou o filme Rundskop (Bullhead), lançado em 2011 e dirigido pelo cineasta belga Michaël R. Roskam.

David Arioch: Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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  • É de doer no coração.
    Ainda bem que vc. parou.
    Mas quanto ainda morreram por falta de compreensão por parte da humanidade. Os animais sofrem, tem sentimentos muito mais que muitas pessoas. O olhar do animal ja fala por eles. Tem carisma, Amor. Eu amo aos animais.!!!!