Este mês o jornal New York Times publicou um artigo sobre o interesse da startup Impossible Foods de vender seus produtos na China, especialmente a sua “carne de porco à base de vegetais”.
No entanto, a situação ficou tensa quando o CEO da empresa, Pat Brown, declarou que “toda vez que alguém na China come um pedaço de carne, um pouco de fumaça chega à Amazônia”.
O comentário não foi bem recebido pelo governo chinês que, por meio do seu jornal oficial, o China Daily, afirmou que o consumo per capita de carne nos EUA é mais de três vezes maior que o da China – 98,4 quilos contra 26,7 quilos.
Talvez o que possa dar uma impressão oposta é o fato de que a China é o país mais populoso do mundo – somando 1,38 bilhão de habitantes. As informações são baseadas em um relatório de 2017 da Agência Nacional de Estatísticas da China e em dados do statistica.com. Os chineses também compararam o consumo de carne bovina nos dois países.
Segundo o China Daily, o consumo médio per capita nos EUA é de 25,8 quilos enquanto a china responde por 1,9 quilo. “Qual número é maior, 25,8 quilos ou 1,9 quilo? Então quem está causando ‘pequenas fumaças’ na Amazônia?”, continuou o Daily China.
Como a China tem um mercado com grande potencial de consumo, inclusive de alimentos à base de plantas, o comentário de Pat Brown recebeu algumas críticas sob a justificativa de que “não agir da forma mais diplomática possível pode dificultar a situação para empresas que querem desestimular o consumo de alimentos de origem animal na China”.
Em 2018, o instituto de pesquisas Plant & Food (PFR), da Nova Zelândia, em parceria com a empresa de pesquisa de mercado Mintel e o Ministério das Indústrias Primárias da Nova Zelândia, concluiu uma pesquisa que revela que 39% da população da China está reduzindo o consumo de carne – o que inclui chineses e estrangeiros vivendo no país.
Os participantes que representam esse percentual informaram que estão dando mais prioridade ao tofu, algas marinhas e outras fontes de proteínas de origem vegetal. O resultado chamou a atenção do governo da Nova Zelândia que tem a China como um dos maiores destinos de suas exportações.
Além disso, o relatório surpreendeu porque historicamente os chineses sempre foram grandes consumidores de carne, principalmente de porco. Porém, segundo a Plant & Food, o cenário está começando a mudar.
O resultado também abre um precedente para a Nova Zelândia se inteirar ainda mais do mercado de fontes de proteínas de origem vegetal. “Precisamos construir nossa compreensão do consumo de proteínas e das atitudes dietéticas nesse mercado para nos prepararmos para quaisquer mudanças futuras em relação ao comportamento do consumidor”, enfatiza o relatório.
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