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Conferência da ONU ganha pavilhão que promove alternativas à carne

Bife desenvolvido a partir de vegetais (Foto: TVB)

Por meio da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), que será realizada de 6 a 18 de novembro no Egito, a ONU promete dar mais visibilidade às alternativas à carne por meio do Pavilhão de Sistemas Alimentares, que terá como protagonista as proteínas alternativas.

Será a primeira vez que a conferência da ONU terá um pavilhão que discute uma mudança mais profunda no nosso sistema alimentar e apresenta alternativas que estão prontas, em desenvolvimento ou em fase de escalonamento de produção.

Vale lembrar que a ONU foi criticada nas edições anteriores da conferência por não abordar quase o impacto negativo dos alimentos de origem animal e por servir uma grande diversidade de carnes e outros produtos de origem animal, embora já tenha publicado pesquisas destacando os benefícios de uma dieta à base de vegetais para o meio ambiente.

Essa mudança é avaliada como positiva, considerando o alcance global do evento e o grande número de autoridades e líderes que participam da conferência a cada ano. O Pavilhão de Sistemas Alimentares trará formuladores de políticas, cientistas e produtores ligados ao setor público e privado.

De acordo com a coalizão Food Systems Pavilion, transformar os sistemas alimentares do mundo poderia gerar US$ 4,5 trilhões anualmente em novas atividades econômicas, beneficiando a justiça social e a segurança alimentar, bem como o clima.

Os coanfitriões do pavilhão dizem que vão pressionar por mais progresso e “colocar os alimentos no centro da discussão” na COP27, por meio de soluções que abrangem toda a cadeia alimentícia.

“É ótimo finalmente poder colocar os alimentos na agenda da COP27 e conversar com os governos sobre como nosso sistema alimentar global pode ser transformado de uma causa da mudança climática para uma solução”, disse Alice Ravenscroft, chefe de política do Good Food Institute (GFI) Europa.

“Carne à base de vegetais e cultivadas são fundamentais para satisfazer a crescente demanda por carne com uma fração das emissões da pecuária industrial. E por exigirem muito menos terra, esses alimentos podem sustentar a segurança alimentar global, ao mesmo tempo em que criam espaço para a restauração da natureza e uma agricultura mais sustentável.”

Alice disse ainda que está ansiosa para conversar com os formuladores de políticas na COP27 sobre como investir em pesquisa de acesso aberto para ajudar a alcançar o enorme potencial dessas proteínas sustentáveis.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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