De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa britânica YouGov, 29% dos alemães decidiram reduzir o consumo de carne após os efeitos da pandemia de covid-19.
O percentual é baseado em entrevistas com duas mil pessoas questionadas sobre seus hábitos alimentares e como veem a indústria da carne hoje. Segundo a YouGov, 27% dos entrevistados teme contrair a doença por meio de carne infectada.
Na Alemanha, só em um frigorífico em Birkenfeld, cerca de 200 romenos, contratados como mão de obra barata, contraíram o novo coronavírus em abril. Desde o início da pandemia, o pastor Peter Kossen vem classificando os frigoríficos alemães como ambientes de “escravidão moderna”.
Segundo ele, além da displicência no ambiente de trabalho, outro motivo é que os imigrantes que atuam nessa indústria são colocados em alojamentos lotados, repletos de mofo e caindo aos pedaços.
Desde 2019, parlamentares alemães discutem elevar o Imposto Sobre Valor Agregado (IVA) da carne em 19%. A justificativa é que esse é o percentual cobrado sobre produtos como leite de aveia, enquanto a carne tem um IVA de apenas 7%.
Embora os alemães sejam conhecidos como “amantes da carne”, um relatório oficial publicado pelo Escritório Estatístico Federal, o Destatis, informa que os alemães estão consumindo cada vez menos carne.
Segundo o relatório, o consumo começou a cair em 2011, com quedas mais acentuadas entre os anos de 2015 e 2016. E com a redução, houve também queda na produção.
Porém, como a média de consumo ainda passa dos 50 quilos por pessoa/ano, a Fundação Heinrich Böll, a Federação Alemã de Meio Ambiente e Conservação da Natureza e o jornal Le Monde Diplomatique enfatizam que o consumo precisa cair ainda mais.
De acordo com o Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), a Sociedade Alemã de Nutrição também defende reduções cada vez mais significativas do consumo de carne.
Por outro lado, o mercado de produtos veganos segue em expansão no país. Em 2016, a Mintel realizou e divulgou uma pesquisa global qualificando a Alemanha como a nação mais inovadora na elaboração e lançamento de bebidas e alimentos veganos.
O país respondeu por 18% das novidades no mercado global, seguido pelos Estados Unidos com uma contribuição de 17% e Reino Unido em terceiro lugar – com 10%.
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