Não é preciso gostar de animais, mas é preciso respeitá-los

Foto: Tras Los Muros

Por que você ama uns e come outros é um bom argumento contra o consumo de animais? Sim, se o objetivo é despertar reflexão somente em quem ama determinados animais. Para quem não ama, não tem nenhum efeito. Se há muitas pessoas que amam determinados animais, há também muitas outras que não.  Todos os argumentos que dependem do sentimento humano em relação à exploração animal tornam-se problemáticos quando as pessoas não têm estima por outros animais.

O apelo ao sentimento é complicado quando depende de um sentimento positivo em relação a determinados animais. Além disso, é bastante comum que muitas pessoas não tenham estima por animais que não conhecem. Então que tipo de efeito isso pode ter? Já que a diferença também pode estar não apenas em não ter estima pelos animais como não ter tido nenhum tipo de contato ou relação com esses animais, senão com partes de seus corpos mortos.

Ademais, quando se fala em “amar uns” é comum esse amor ser baseado na convivência com alguns animais. Por outro lado, os animais que são excluídos desse sentimento são animais que as pessoas sabem quem são, mas não há uma consideração pelo indivíduo como ocorre em relação àqueles com quem tiveram convivência diária. Logo o “comer outros” evoca também o animal desconhecido, com quem não foi estabelecida nenhuma relação enquanto era vivo.

Alguém pode dizer: “Porque são animais que não conheci e com os quais não convivi, então não é a mesma coisa.” Claro que isso não deveria ser argumento para comer animais, porque se reconhecemos o mal que isso significa para eles, podemos pensar também no mal que reprovamos quando humanos também sofrem e isso é lamentado e reprovado mesmo quando não conhecemos quem está sofrendo. Afinal, quem diria que um humano não deve ser morto somente porque não o conhecemos?

Entender que causar mal a um animal é reprovável porque esse mal é algo que o animal não deseja experimentar, e também porque não é necessário, é uma consideração mínima que pode ser estendida a outros animais independentemente de sentimentos que não precisam ser essencializados nessa consideração, como o amor ou o apreço.

Leia também “Ser vegano é uma forma honesta de respeito pelos animais“, “Não há respeito na exploração e no consumo de animais“, “Andrey Beketov: Abater animais é opor-se ao respeito à vida” e “Brigid Brophy: “Temos a obrigação de reconhecer e respeitar os direitos dos animais“.

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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