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Foodtech garante maior investimento do mundo em carne cultivada

A foodtech Future Meat, de Israel, anunciou neste mês de dezembro que arrecadou US$ 347 milhões em investimentos para produção de carne cultivada a partir de células. O valor é considerado o maior do mundo destinado em apenas uma rodada (série B) a uma empresa do ramo.

A rodada foi coliderada pela Archer Daniels Midland (ADM).  “Estamos extremamente entusiasmados com o apoio maciço de nossa rede global de investidores estratégicos e financeiros. Este financiamento consolida a posição da Future Meat como líder na indústria de carne cultivada apenas três anos após nosso lançamento”, disse o professor Yaakov Nahmias, fundador e presidente da Future Meat.

“Nossa tecnologia permitiu reduzir os custos de produção mais rápido do que qualquer um imaginaria, abrindo caminho para uma expansão massiva das operações. Nossa equipe iniciará a construção da primeira instalação de produção em larga escala nos EUA em 2022.”

O vice-presidente sênior de estratégia e inovação da ADM, Ian Pinner, declarou que é preciso expandir o universo de novas fontes de proteínas para os consumidores que estão cada vez mais diversificando suas dietas.

A Future Meat inaugurou a primeira linha de produção de carne cultivada do mundo em Israel no início deste ano e agora está avaliando vários locais nos Estados Unidos para a instalação de sua unidade de produção em larga escala.

“Enquanto a Future Meat lidera o segmento como a empresa de crescimento mais rápido, realmente vejo toda a indústria de carne cultivada como uma grande agente de mudança, criando um futuro sustentável para as próximas gerações”, acrescentou Nahmias.

Objetivo é a paridade de custo

A foodtech também anunciou que agora está produzindo peito de frango cultivado por menos da metade do preço estabelecido seis meses atrás. A redução de custos já ultrapassou a projeção do cronograma de 18 meses que foi anunciado em maio de 2021 pelo ex-presidente-executivo da empresa, Rom Kshuk.

“Nossa tecnologia pode produzir carne em uma fração da terra atualmente usada para a produção de carne”, assegurou Nahmias. “Temos demonstrado consistentemente que nossa tecnologia em agricultura celular livre de soro bovino pode atingir a paridade de custo mais rápido do que o mercado antecipou”, acrescentou o professor.

A tecnologia proprietária da Future Meat é baseada em fermentadores de aço inoxidável que removem continuamente os produtos residuais gerados por células de tecido. Isso permite que a empresa mantenha um ambiente estável que garante a rápida ampliação das células animais.

Segundo a empresa, esse método é mais robusto e eficiente do que outros que usam células-tronco, Além disso, seus fermentadores podem reciclar mais de 70% dos nutrientes.

“É também a maneira mais econômica disponível hoje, um fator-chave para reduzir custos na produção industrial, o que tem sido o maior obstáculo para trazer a carne cultivada a uma paridade de custo com a carne tradicional.”

 

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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