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Mais de 4,1 milhões de animais são usados em testes na Coreia do Sul

(Foto: iStock)

O número de animais usados em testes laboratoriais no mundo todo ainda é muito preocupante, chegando a 115 milhões. Só na Coreia do Sul, mais de 4,1 milhões foram utilizados com essa finalidade em 2020, segundo informações da organização Humane Society International (HSI).

Isso significa um aumento de 11,5% em comparação aos 3,7 milhões em 2019 e crescimento de 43,8% em relação aos 2,8 milhões de cinco anos atrás. Em julho, o Ministério da Justiça da Coreia do Sul propôs uma mudança na legislação, acrescentando uma cláusula ao status legal dos animais com a finalidade de impedir que sejam classificados como objetos.

Segundo a HSI, é uma ação positiva, mas as estatísticas revelam que ainda há muito a ser feito em relação às ações governamentais para reduzir o uso de animais em experimentos por meio de políticas eficazes de substituição e adoção de alternativas.

“Enquanto a Coreia está adotando avanços tecnológicos em todos os aspectos da sociedade, quando se trata de pesquisas e testes, abordagens desatualizadas usando animais são favorecidas, mesmo com o surgimento de abordagens inovadoras e sem uso de animais”, avalia a Humane Society, que neste mês de agosto iniciou uma campanha em parceria com a marca cosmética Lush e a organização People for Non-Human Rights (PNR) para tentar mudar a realidade na Coreia do Sul.

Realidade brasileira

No Brasil, há cinco deputados federais e um ex-deputado que apresentaram projetos de lei entre 2013 e 2021 contra experimentos com animais, e principalmente envolvendo testes de segurança de produtos cosméticos.

As propostas que ainda tramitam na Câmara são o PL 6602/2013, de Ricardo Izar (PP-SP); PL 7401/2014, de Inocêncio Oliveira; PL 948/2019, de Célio Studart (PV-CE); PL 1031/2021, de Eduardo da Fonte (PP-PE); PL 2031/2021, de Rafafá (PSDB-PB); e PL 2382/2021, de Franco Cartafina (PP-MG).

Em comum, eles destacam que há novos métodos superiores de experimentação que prescindem do uso de mamíferos e de outros animais, e citam modelos celulares in vitro e computadorizados, entre outros.

Além dos cosméticos

Segundo a Humane Society International (HSI), hoje o mundo hoje conta com diversos métodos validados internacionalmente para testes regulatórios, e não apenas de cosméticos.

“Nos últimos anos, modelos miméticos humanos, organoides e abordagens baseadas em computador, como in silico, provaram ser alternativas bem-sucedidas aos modelos animais e têm recebido atenção de reguladores e indústrias farmacêuticas globais”, explica a entidade.

E acrescenta: “Essas tecnologias têm o potencial de melhorar as avaliações de segurança e eficácia e reduzir as taxas de falha de potenciais medicamentos no estágio clínico.”

Uma sugestão também feita aos consumidores é sempre que possível optarem pela aquisição de produtos livres de testes em animais.

Saiba Mais

No Brasil, há 17 métodos alternativos reconhecidos pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que podem ser utilizados no processo de registro de cosméticos, medicamentos, alimentos e produtos de higine e limpeza, além de pesquisas no ensino.

Os métodos sem o uso de animais vivos autorizados no Brasil têm reconhecimento internacional e substituem, por exemplo, avaliação de irritação ocular ou de pele, toxicidade aguda e absorção cutânea, que são os mais comuns e causam bastante dor aos animais.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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