Nova Zelândia se abre para o veganismo

Há inúmeros indícios que cada vez mais a população da NZ tem se inclinado a mudanças que estão contribuindo para um futuro de maior aceitação do veganismo

Nova Zelândia rumo a um futuro de mais consideração pelo veganismo (Foto: Auckland Vegan Action/Divulgação)

Quando o assunto é veganismo, não é tão comum ver a Nova Zelândia entre as nações mais destacáveis. No entanto, há inúmeros indícios que cada vez mais a população do país situado na Oceania tem se inclinado a mudanças que estão contribuindo para um futuro de maior consideração e aceitação do veganismo:

Foto: Divulgação

NZ em terceiro lugar na busca pela palavra “veganismo”

O ativista neozelandês Hans Kriek, do movimento em defesa dos direitos animais SAFE, conta que nos últimos cinco anos houve um grande crescimento do número de veganos no país, embora não seja possível estimar precisamente em números. “Muitas pessoas estão decidindo não comer animais para tornarem-se veganas ou vegetarianas”, informa.

Além disso, em 2018, segundo pesquisa divulgada pelo Chef’s Pencil, que avalia também mudanças de hábitos alimentares, o país ficou em terceiro lugar entre as nações onde os internautas mais buscaram informações sobre a palavra “veganismo”.

Foto: Reprodução/1 News

Ativistas veganos têm fixado adesivos em bandejas de carne

Assim como na Austrália, está aumentando na Nova Zelândia o número de ações em prol do veganismo, embora controversas. Um exemplo é que ativistas veganos têm colocado adesivos em bandejas de carne em supermercados do país, destacando que a embalagem contém partes do corpo de alguém que não queria morrer.

E como reflexo dessa efervescência as críticas da indústria da carne também têm crescido em oposição a tais práticas. E como os adesivos são facilmente removíveis, a polícia até hoje não reagiu mal às intervenções, embora não tenha faltado pressão por parte dos representantes da indústria da carne.

Esse tipo de ação não tem unanimidade no meio vegano, mas há muitas pessoas que pensam que essa é uma ótima maneira de estimular a conscientização e levar informação às pessoas, segundo a porta-voz da Sociedade Vegana da Nova Zelândia, Claire Insley.

Foto: Will Travel for Vegan Food

34% da população reduzindo ou abdicando do consumo de carne

Em outubro, uma pesquisa conduzida e divulgada pela organização neozelandesa Food Frontier e pela indústria alimentícia Life Health Foods revelou que 34% da população da Nova Zelândia está reduzindo ou abdicando do consumo de carne. Considerado um percentual bem significativo, o estudo se baseou em entrevistas com 1.107 pessoas.

A intenção é avaliar se está havendo uma mudança de hábitos da população e em que proporção o interesse por alimentos à base de vegetais é significativo e promissor no país em alternativa aos alimentos de origem animal.

Foto: Animals Australia

Maior produtora de leite do país leva maior prejuízo 

A neozelandesa Fonterra, conhecida como a maior produtora de leite do país e maior exportadora de leite do mundo, anunciou em outubro que amargou o maior prejuízo já registrado na história da empresa – de US$ 379,34 milhões, o equivalente a mais de R$ 1,57 bilhão. A avaliação considerou os números registrados pelo período de um ano – até o dia 31 de julho.

Para tentar compensar os prejuízos, segundo a agência Reuters, a Fonterra pretende reduzir sua participação em até R$ 3,58 bilhões em ativos em países como o Brasil, Venezuela e China,

Não é a primeira vez que a Fonterra é obrigada a abrir o jogo publicamente sobre os prejuízos no setor. Em setembro de 2018, a multinacional revelou perda equivalente a mais de R$ 540 milhões no período de 2017 a 2018. A queda foi bem significativa considerando que de 2016 a 2017 a empresa obteve lucro de US$ 500 milhões.

Acervo: Urban List

Ministério da Saúde promove dieta à base de vegetais

Este ano o Ministério da Saúde da Nova Zelândia começou a promover dietas à base de vegetais em um novo relatório sobre sustentabilidade no setor de saúde.

Segundo o ministério, a agropecuária representa 49% das emissões de gases do efeito estufa da Nova Zelândia, e esse percentual é fortemente influenciado pelas atuais preferências alimentares da população.

O relatório também aponta que a produção de carne vermelha demanda muito mais recursos do que o cultivo de proteínas de origem vegetal – e defende o “desenvolvimento de menus alternativos” e o “incentivo a dietas baseadas em vegetais”, que podem ser benéficas à saúde da população.

A recomendação também é que órgãos e organizações de cuidados com a saúde desenvolvam suas próprias hortas.

(Fotos: World of Wanderers/NZ Herald)

Abacate no lugar do leite

No Norte da Nova Zelândia as fazendas leiteiras estão dando lugar às plantações de avocado, um abacate menor, com casca mais escura e mais rico em nutrientes. Essa informação é confirmada por Georgina Tui e Mate Covich, que atuavam no ramo de produção de leite no país e decidiram vender suas terras para produtores de abacate.

Três outras fazendas leiteiras da península de Aupouri, perto de Kaitaia, no noroeste da Nova Zelândia, também foram vendidas e estão se tranformando em pomares de abacateiros. O que tem ajudado na transição é que o solo e o clima são bastante favoráveis às plantações de avocado, incluindo o fácil acesso à água. A diretora executiva da NZ Avocado, associação que representa os produtores de abacate no país, Jen Scoular, disse que o futuro da fruta é bastante animador.

“Estamos confortáveis ​​com a demanda global favorecendo o aumento das plantações e estamos felizes em ver o investimento contínuo em abacates”, informou Jen ao Fresh Plaza. Com uma demanda global por abacates aumentando em cerca de 10% ao ano, agricultores da Nova Zelândia viram na fruta um bom negócio enquanto a produção leiteira se torna cada vez menos lucrativa.

Foto: New Zealand Herald

Leite de sementes de papoula ganha mercado na NZ

Com o crescente interesse por alternativas ao leite na Nova Zelândia, a empreendedora Kristina Ivanova, lançou no mercado uma linha de leites vegetais à base de sementes de papoula e de sementes de abóbora, além de amêndoas e nozes.

“Muitas pessoas não sabem que as sementes de papoula têm a maior quantidade de cálcio, até mais do que o leite de vaca. Tem o mesmo gosto de um leite normal”, diz Kristina, que deixou o seu trabalho como profissional de marketing para se dedicar à marca Milk 2.0.

A iniciativa é resultado de três anos de experiências desenvolvendo e preparando leites vegetais.

Foto: Divulgação

Crescente rejeição a empresas envolvidas em crueldade animal

Desde 2018, a empresa de investimentos Pathfinder Asset Management (PAM), sediada na Nova Zelândia, começou a examinar seus fundos de ações para romper negócios com empresas envolvidas em crueldade contra animais, o que inclui também testes em animais e ausência de políticas de bem-estar.

Segundo o CEO da PAM, John Berry, muitos investidores os procuraram explicando que as questões de bem-estar animal devem ser consideradas prioritárias para empresas que buscam investimentos em produtos e serviços.

Entre os investidores, há veganos que Berry qualifica como pessoas apaixonadas por investimentos isentos de crueldade. “Há também um público muito mais amplo focado em testes em animais e como os animais são tratados em geral”, informa.

Foto: Paul Vicente

Novo lar para animais usados em laboratórios

Também desde 2018, em vez de permitir que os animais usados em laboratórios sejam mortos, a Nova Zelândia está adotando uma política de dar um novo lar aos animais usados em pesquisas. A iniciativa tem chamado a atenção, considerando que o destino comum dos animais usados em testes e em vivissecção é a morte, mesmo quando eles sobrevivem às experiências.

A iniciativa partiu da Sociedade Anti-Vivissecção da Nova Zelândia (NZAVS) e da Helping You Help Animals (HUHA), que recentemente criaram uma petição intitulada “Out of the Labs”, ou seja, “Fora dos Laboratórios”, na tentativa de impedir que os animais sejam descartados quando passam a ser considerados “inúteis” para os laboratórios de pesquisa.

O pedido foi bem recebido pelo governo da Nova Zelândia por meio do Ministério das Indústrias Primárias (MPI), que engloba a agricultura, biossegurança e bem-estar animal. Atualmente o Comitê Consultivo Nacional de Ética Animal (NAEAC) está desenvolvendo um guia de procedimento de reabilitação de animais usados em laboratório.

Foto: Alistair Guthrie

James Cameron e Suzy Amis contra os laticínios na NZ   

Participando este ano do Just Transition Summit, em New Plymouth, na Nova Zelândia, o cineasta James Cameron e a ambientalista Suzy Amis disseram que para valorizar uma economia de baixa emissão de carbono é importante priorizar a produção de alimentos de origem vegetal e reduzir drasticamente a produção de alimentos de origem animal.

Cameron, que é diretor e roteirista de filmes como Alien, O Exterminador do Futuro, Titanic e Avatar, disse que só o setor de laticínios responde por 22% das emissões de carbono enquanto a agropecuária é responsável por 48%.

O casal, que atualmente vive em uma fazenda de cinco mil hectares no sul de Wairapapa, onde cultivam vegetais orgânicos, incluindo frutas e oleaginosas, enfatizou que seria mais econômico investir na produção de vegetais do que na criação de animais para consumo.

Eles citaram a própria experiência na produção de proteínas de origem vegetal, como parte do trabalho que desenvolvem com a Verdient Foods, no Canadá. “Podemos alimentar muito mais pessoas e cuidar melhor da terra, do ar e da água”, reforçaram.

Foto: Divulgação

Uma das bandas de metal mais bem-sucedidas do país é vegana

8 Foot Sativa é uma banda de metal de Auckland, na Nova Zelândia, que foi fundada em 1998 e traz na formação somente músicos veganos. Também é considerada uma das bandas de metal mais bem-sucedidas internacionalmente da história do país.

Com uma postura vegana e favorável ao abolicionismo animal, o 8 Foot Sativa já excursionou com bandas como Motörhead, Fear Factory, Corrosion of Conformity, Soufly, Disturbed, Slipknot, Korn, System of a Down e Children of Bodom, o que tem ajudado a espalhar a sua mensagem contra a exploração animal.

Em 2007, eles lançaram o álbum “Poison of Ages”, baseado em nove músicas que apresentam a perspectiva vegana sobre diversos temas, mas principalmente sobre a maneira como a humanidade vem destruindo o planeta.

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