Hoje (5) é o Dia da Amazônia, data em que o mundo celebra o bioma mais famoso do mundo quando se fala em rica biodiversidade tropical e mudanças climáticas. É correto dizer que a Amazônia, mais do que nunca, tornou-se nos últimos anos a floresta de maior evidência global, até porque há muito mais meios, ONGs, pesquisadores, ativistas e celebridades engajados em repercutir o que acontece na Amazônia.
Toda essa evidência está associada ao desmatamento do bioma, que já perdeu áreas equivalentes a países como França e Espanha, e está além de um milhão de quilômetros de perda de vegetação nativa. Citando dados recentes, só entre agosto de 2019 e julho de 2020 o desflorestamento amazônico cresceu mais de 34%, segundo levantamento do Inpe.
Outro exemplo de como a Amazônia vem sendo castigada por interesses econômicos é que sua degradação florestal aumentou em 465% no mesmo período, segundo o Imazon. Apesar dessa negligência amplificada por um senso de impunidade, cresce o número de pessoas se conscientizando mais sobre a realidade da Amazônia.
Por outro lado, apenas saber o que acontece lá e lamentar, sem mudarmos hábitos que financiam o desmatamento, não ajuda. Podemos combater o afrouxamento da fiscalização ambiental, assim como exigir mais investimentos em políticas ambientais. Mas será que isso é tudo que podemos e devemos fazer?
Se temos condições de começar a promover uma mudança dentro de casa, também visando a preservação ambiental e não apenas da Amazônia, mas de qualquer bioma prejudicado pela produção agropecuária, que demanda cada vez mais terras, por que não fazer a nossa parte enquanto consumidores?
Se a agropecuária impacta em nossas florestas tropicais, podemos entender que isso tem relação com produção e consumo de alimentos de origem animal. Afinal, o gado demanda pasto, uma área pra viver até o dia em que será morto para consumo; e criar animais com esse fim exige grandes áreas para alimentá-los.
Quando se fala em Amazônia, ainda hoje muita gente desconhece o impacto da criação de suínos e galináceos. Afinal, esses animais, embora tradicionalmente criados em confinamento, são alimentados em grande escala a partir de grandes produções agrícolas.
E o Brasil hoje desmata tanto para criar e alimentar animais no próprio país, e que serão abatidos, como também para destinar suas produções associadas ao desflorestamento para outros destinos como China e Reino Unido, além de outros países. Pense nisso quando for consumir carnes, leite e derivados, ovos, etc. Afinal, a maneira como nos alimentamos também é uma forma de combater as mazelas que reprovamos.
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Nada a comemorar; e as inevitáveis lágrimas não salvam e nem curam fauna e flora que já morreram até este dia de cinza, fumaça e luto.