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O que Jane Goodall nos ensinou sobre os animais

Jane Goodall defende a importância de estendermos consideração moral aos animais que reduzimos a fontes de alimentos e outros produtos (Fotos: Jane Goodall Institute)

A primatologista e antropóloga britânica Jane Goodall completou 87 anos no sábado (3). A data também lembra os seus mais de 60 anos de dedicação aos estudos sobre o comportamento animal, o que trouxe novas e importantes considerações sobre o reconhecimento da inteligência não humana e capacidade de aprendizagem social não humana.

Sua imagem costuma ser bastante associada aos estudos sobre primatas, mas Jane Goodall também fortaleceu a defesa da importância em incluir outras espécies em nosso círculo moral, estendendo consideração também àqueles que reduzimos a fontes de alimentos e outros produtos.

Nesse ponto, ela influenciou importantes nomes da filosofia moral e ética animal, como a britânica Mary Midgley, referenciada nas obras do escritor sul-africano J.M. Coetzee, Prêmio Nobel de Literatura de 2003. Goodall já defendia na década de 1960 a importância do reconhecimento dos animais como indivíduos, criaturas com personalidades que demandam um outro olhar humano sobre sua própria condição e realidade.

Fez isso principalmente depois de abdicar do consumo de carne em 1968, quando olhou para a costeleta de porco em seu prato e concluiu: “Isso representa, medo, dor e morte”, conforme publicado em seu próprio site. Para Goodall, não há como nos alimentarmos de animais a partir do momento que os reconhecemos como indivíduos.

Nosso respeito à natureza e aos animais

Por meio do seu instituto fundado em 1977, Jane Goodall tem motivado os mais jovens a engajarem-se em ações em benefício do meio ambiente e dos animais.

Quem acompanha suas declarações sabe que muito antes do surgimento da pandemia de covid-19, a renomada primatologista já alertava sobre os perigos do impacto humano no meio ambiente, e como isso poderia trazer consequências mais graves para o planeta.

“É nosso desrespeito à natureza e aos animais com os quais devemos compartilhar o planeta que causou essa pandemia. Isso foi previsto há muito tempo”, disse durante conferência de lançamento do seu novo documentário em 2020, acrescentando que as civilizações modernas criaram ambientes onde diversos tipos de vírus podem se espalhar com facilidade.

“Se apenas parássemos de comer toda essa carne”

“Se apenas parássemos de comer toda essa carne a diferença seria enorme porque há todos esses bilhões de animais de fazenda…mantidos em campos de concentração para nos alimentar, e, você sabe, áreas naturais são devastadas para cultivar grãos para alimentá-los.”

Para Jane Goodall, que fez a declaração acima durante entrevista à organização jornalística National Press Club (NPC), a cruel criação de dezenas de bilhões de animais para consumo no mundo todo ainda pode trazer consequências mais preocupantes e perigosas.

“Nosso desrespeito aos animais silvestres e nosso desrespeito em relação aos animais de criação [para consumo] levaram a esses ambientes em que as doenças podem atravessar a barreira das espécies e se transferir de um animal para um ser humano”, alertou em conferência on-line realizada pelo Parlamento Europeu em junho de 2020.

“Se não fizermos as coisas de maneira diferente, será no nosso fim”, concluiu.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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