O vegetarianismo na vida e na obra de Leskov

Leskov definia a si mesmo como alguém que optou pelo não consumo de animais por empatia e compaixão - por incondicional respeito à vida

Prolífico, criou os primeiros personagens vegetarianos da história da literatura russa

Importante nome da literatura russa, Nikolai Leskov era admirado por Liev Tolstói, Maxim Gorky e Anton Tchekhov. Na realidade, Tchekhov não apenas o admirava como o considerava seu mestre. Leskov escreveu muito entre as décadas de 1860 e 1890, embora somente nos seus últimos anos conseguiu se dedicar integralmente à escrita.

Prolífico, criou os primeiros personagens vegetarianos da história da literatura russa. No conto “Фигура” ou “A Figura”, de 1889, publicado originalmente na revista “Труд”, ou “Trud”, o personagem principal é um homem vegetariano que vive em Kurenyovka, no subúrbio de Kiev, e leva uma vida simples, cultivando o seu jardim e os seus vegetais comercializados em Podol, no Bazar de Zhitnem.

Ele vive com a jovem Nastya Khoshlushka e sua filha de três anos. Nenhum deles se alimenta de nada que “tenha uma consciência de vida”. Em carta a Tolstói, Leskov relevou que a história do personagem vegetariano foi inspirada em uma figura histórica ucraniana. Outra curiosidade é que Nastya representa a consciência tolstoiana do vegetarianismo.

Leskov se tornara vegetariano na década anterior por influência de Tolstói, que nos últimos anos também teve grande peso sobre a sua literatura. Foi nesse período, após décadas de escrita e muitos contos e diversos romances publicados, que Nikolai Leskov obteve reconhecimento da crítica e passou a ser visto como um dos grandes autores da Rússia.

Mas a questão da exploração animal já havia surgido muito antes na literatura de Leskov, que discorria com singularidade e fidedignidade sobre os paradoxos e as impropriedades da vida social na Rússia. Em 1881, o escritor publicou o conto “Дворянский бунт в Добрынском приходе”, ou “O Tumulto da Nobreza na Paróquia de Dobrynsky”, que se passa durante as celebrações de Ano-Novo. Na história, os ortodoxos de Orlov comem com naturalidade e ferocidade os leitões recém-nascidos. Os personagens afirmam que os animais ficam felizes em morrer para ter a sua carne violentamente consumida em uma festa cristã – onde as boas-vindas são dadas com alegria enquanto uma das mãos soergue uma faca.

Alguns anos depois, em 1887, o escritor publicou o conto “Грабеж”, ou “Assalto”, em que descreve a matança de bezerros por um abastado açougueiro. A crítica do autor na obra subsiste na indiferença e na ação continuada do homem. Leskov, que também publicou um ensaio sobre vegetarianismo em 1889, definia a si mesmo como alguém que optou pelo não consumo de animais por empatia e compaixão – por incondicional respeito à vida.

Entre as obras mais importantes do controverso autor russo, e que retratam bem o zeitgeit russo, estão “Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk”, de 1865; “A Mulher Belicosa”, de 1866; Uma Família Decaída”, de 1867; “O Pavão”, de 1868; “O Peregrino Encantado”, de 1873; “O Mosteiro das Caçulas”, de 1874; e “O Assalto”, “O Boi Almiscarado” e “O Espantalho”, de 1887.

Saiba Mais

Nikolai Leskov trabalhou no Ministério da Educação da Rússia de 1874 a 1883, ano em que foi demitido por publicar um ensaio sobre o estilo de vida escandaloso de um pastor ébrio.

Referências

Viduetskaya, I.L. Nikolai Semyonovich Leskov profile. Russian Writers. Dicionário Bibliográfico – Volume I (ed. P.A. Nikolayev). Prosveshchenye Publishers (1990).

Bogayevskaya, K.P. N.S. Leskov timeline. The Works of N.S. Leskov em 11 volumes. Khudozhestvennaya Literatura Publishers. Vol 11. Páginas 799–834 (1958).

S. Mirsky; Francis James Whitfield. Leskov. A history of Russian literature from its beginnings to 1900 (1999).

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